O crescente serviço de internet via satélite de Elon Musk, Starlink, pode ter encontrado seus mais novos clientes: ucranianos desconectados em razão da guerra.

No fim de semana, o presidente ucraniano, que virou fenômeno nas redes sociais, Volodymyr Zelensky, foi à internet confirmar que receberá ainda nesta semana um novo lote de terminais Starlink da SpaceX. No Twitter, Zelensky agradeceu Musk e disse que os novos terminais funcionariam para fornecer acesso à internet em “cidades destruídas”.

A SpaceX começou a intensificar seus esforços na Ucrânia há cerca de duas semanas, após um apelo público de Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro do país. Fedorov foi ao Twitter, menos de 48 horas depois que a Rússia chocou o mundo com sua invasão em grande escala, para falar com Musk.

Musk respondeu rapidamente, dizendo que a SpaceX adicionaria mais terminais.

A infraestrutura de internet da Ucrânia resistiu a ataques cibernéticos e interrupções desde o início da invasão, mantendo-se resiliente. Parte dessa resiliência se dá em parte à infraestrutura de internet diversificada com “poucos pontos de estrangulamento”, disse recentemente Alp Toker, da organização de monitoramento NetBlocks, ao The Guardian.

“Se uma nação invasora desejasse desligar a internet da Ucrânia, isso seria realmente uma questão de entrar fisicamente em pontos de troca de internet e centros de dados e controlar esses locais”, disse Toker.

Embora a maioria dos ucranianos ainda tenha algum acesso, provedores locais de internet como Lanet alegam que foram forçados a adiar reparos em algumas estruturas danificadas devido à “ação militar ativa”.

Enquanto isso, autoridades ucranianas, na semana passada, recorreram ao público para lançar um contra-ataque digital, com Fedorov convocando hackers voluntários para realizar ataques cibernéticos contra empresas, bancos e entidades governamentais russas. Mais recentemente, o governo ucraniano solicitou a Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números a essencialmente separar a Rússia da Internet global, uma medida extrema que foi rejeitada.

Os esforços de infraestrutura de internet em tempo de guerra da Starlink já enfrentaram desafios. No fim de semana, Musk afirmou, sem apresentar provas específicas, que alguns terminais Starlink perto de áreas de conflito estavam sendo bloqueados “por várias horas”. Musk continuou dizendo que a empresa estava respondendo redefinindo as prioridades da defesa cibernética, um pivô rápido que ele alegou que poderia resultar em atrasos nos programas de foguetes da empresa.

Embora ainda não esteja claro até que ponto o governo russo pode ter interferido nos serviços Starlink, interrupções parecidas foram relatadas na semana passada pela empresa Viasat, empresa concorrente de internet por satélite.