O processo será mais simples do que parece: os beneficiários terão de trocar o chip do celular por um modelo específico, mantendo o número e os dados. Com ele, o usuário poderá recarregar o celular, como se fosse um aparelho pré-pago, por meio de transferências online ou em caixas eletrônicos – as máquinas já estarão prontas para se comunicar com o aparelho. E é só o dono do celular chegar perto de um caixa que o valor surgirá na tela. Aí, ele escolherá se efetuará pagamentos ou fará um saque – o que elimina a necessidade de adaptação de todo o comércio com o novo sistema. Mesmo assim, há a possibilidade de usá-lo como um cartão de débito, que seria aproximado às máquinas de débito. Mas, nesse caso, uma enorme reformulação do comércio seria necessária, principalmente em áreas mais pobres, que possivelmente seria algo mais complexo e caro.

A ideia de pagamentos por celular é cada vez mais comum nos EUA e até no Brasil, mas o interessante é ver que ela costuma vir acompanhada de smartphones caros e aplicativos específicos. Aqui, a solução foi transformar qualquer aparelho de 99 reais num pequeno receptor de dinheiro. Apesar de a rede de telefonia não estar 100% instalada no país, a Anatel promete que todas as cidades beneficiadas já estarão prontas até o lançamento do “Bolsa Celular”, no início de 2011 – a ideia da Caixa é atingir 12,3 milhões de usuários nos primeiros meses. E, segundo apuração da Folha, o custo de distribuição e confecção de chips e atualização de máquinas é muito menor do que a instalação de agências físicas ou caixas eletrônicos em cidades remotas.

O possível fator que pode complicar a ideia são as operadoras de telefonia. A proposta só surgiu após uma nova resolução da Anatel, que permite que qualquer empresa se associe às operadoras móveis, usando sua infraestrutura para prestar serviços variados. As operadoras não gostaram muito da ideia e têm pressionado a Anatel para limitar as possibilidades dos clientes: a proposta é que cada empresa só possa se associar a apenas uma operadora. Assim, teríamos exclusividade da Vivo com o Itaú, por exemplo, o que limitaria o acesso para usuários da operadora que têm conta em outro banco. Para completar, as teles poderiam fazer delimitações de cobertura, já que juntas elas cobrem quase todo o país, mas individualmente cada uma têm suas falhas regionais. Esperamos que elas não ganhem essa disputa. [Folha via Tecnoblog via OxenTI]