Em 12 de abril de 1961, Yuri Alekseyevich Gagarin entrou em sua nave espacial Vostok 1, iniciou as checagens pré-voo e aguardou a contagem regressiva. Horas depois, murmurou algumas das mais bonitas frases da história:

A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível.

 
E foi incrível. São palavras óbvias, mas foram ditas por um coração sincero, tocado e submisso pela visão de seu verdadeiro lar. Nascido como filho de camponês em Klushino, na Rússia, Gagarin foi o primeiro homem a chegar ao espaço e orbitar a Terra.
 
Ao pronunciar aquelas palavras, ele orbitava de uma altitude de 300 km sobre a superfície de seu planeta natal, expressando o mesmo sentimento que cada astronauta teve desde então. Um sentimento de completa admiração à beleza de nosso pequeno planeta. Ao chegar às estelas, Gagarin e o resto da humanidade perceberam o quão única e preciosa é a Terra.
 
Seu feito foi incrível à época. Os Estados Unidos ficaram atordoados com a notícia, e a Nasa correu para enviar um homem para o espaço. Em 5 de maio de 1961, Alan Shepard tornou-se o primeiro astronauta norte-americano, seguindo uma trajetória de míssil balístico. Somente no ano seguinte os EUA conseguiram colocar um astronauta em órbita – John Glenn circulou a Terra por quatro horas, 55 minutos e 23 segundos a bordo do Friendship 7 em 20 de fevereiro de 1962.

Depois de se tornar um herói da União Soviética, Gagarin infelizmente aterrissou para sempre – ele era muito precioso para a máquina de propaganda do regime soviético, e enviá-lo ao espaço seria arriscar perdê-lo. Ele retornou à Cidade das Estrelas – onde a União Soviética desenvolvia o seu programa espacial – para trabalhar no design de espaçonaves reusáveis, mas nunca voltou a entrar em uma. E depois que Vladimir Komarov morreu no primeiro voo Soyuz, Gagarin – que era o seu piloto reserva – foi até banido de treinar para voos espaciais.
 
Ironicamente, apenas alguns anos depois, Gagarin morreu em um voo de rotina em um treino para pilotos de caça, em 27 de março de 1968, aos 34 anos. Uma perda trágica, sem dúvida, de um verdadeiro herói não apenas para a União Soviética, mas para todo o mundo. Não se fazem mais heróis como ele.

Boa viagem, Yuri Alekseyevich.