A administração de Donald Trump baniu a venda de tecnologias americanas para a chinesa Huawei em maio. No entanto, algumas empresas dos EUA, incluindo a Intel e a Micron, estão vendendo chips de computadores para eles, de acordo com uma reportagem do New York Times.

O CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, confirmou durante a conferência de lucros na terça-feira (25) que a empresa, sediada em Idaho mas com operações globais, começou a enviar pedidos para a Huawei novamente durante as últimas duas semanas. A Intel se recusou a comentar.

A Micron é a maior fabricante de chips de memória de computador dos Estados Unidos. A Intel também é a maior empresa de chips semicondutores dos EUA. Já a Huawei figura como segunda maior fabricante de celulares no mundo.

Com um plano de fundo de uma guerra comercial que vem se intensificando e acusações de espionagem e ameaças à segurança nacional por parte dos Estados Unidos, o Departamento de Comércio colocou a Huawei na “Lista de Entidades” no mês passado, proibindo que empresas americanas vendessem determinados tipos de tecnologias e informações para a companhia chinesa.

Um destaque chave da reportagem do NYT é que ninguém tem com clareza como agir ou como se sentir a respeito disso.

As companhias aparentemente pausaram todas as vendas para a Huawei por um tempo, até que seus advogados decidiram que eles ainda poderiam fazer negócios se os produtos não fossem considerados “made in America”.

A administração Trump supostamente sabe das vendas, mas está dividida sobre como deve reagir. A Casa Branca não respondeu ao nosso pedido de comentários.

O Departamento de Comércio dos EUA em si talvez não tenha a situação definida com clareza: a reportagem também diz que a companhia está operando as vendas pela agência. O Departamento não respondeu um pedido de comentário.

A Associação da Indústria de Semicondutores, que tem como membros a Intel e Micron, acredita que ainda existam vendas que possam ser feitas por empresas americanas para a Huawei.

“Enquanto nós discutimos com o governo dos EUA, está claro agora que alguns itens podem ser fornecidos para a Huawei de forma compatível com a Lista de Entidades e regulações aplicáveis”, disse o grupo em um comunicado de sexta-feira (21). “Cada companhia é impactada de forma diferente com base em seus produtos específicos e cadeias de suprimentos, e cada companhia deve avaliar qual é o melhor jeito de conduzir seus negócios e continuar cumprindo as regras”.

Empresas chinesas, por outro lado, aparentemente estão preocupadas que será impossível cumprir com os objetivos definidos pelo governo da China sem a tecnologia americana – sinalizando o quão dependente de parceiros internacionais cada grande empresa pode ser no mundo globalizado.

“Se perdermos acesso ao software dos Estados Unidos ou não pudermos mais receber atualizações, nosso desenvolvimento de chips irá caminhar para o seu fim”, teria dito um executivo de uma fabricante de chips de inteligência artificial chinesa ao Nikkei Asian Review.

Notícias sobre novas vendas chegam apenas algumas horas depois de o FedEx abrir um processo contra o Departamento de Comércio. A empresa de logística e correios diz que é “virtualmente impossível” para uma empresa de entrega policiar cada pacote que cai em suas mãos.

A Huawei também respondeu nossos pedidos de comentários.