O entrelaçamento quântico faz com que os estados de duas partículas se tornem intimamente ligados, mesmo que elas estejam distantes uma da outra. Por exemplo, em um par de partículas entrelaçadas, se uma delas começa a girar para a direita, a outra passa imediatamente a girar para a esquerda.

Isso é geralmente feito em temperaturas extremamente baixas, mas agora os físicos podem realizar isso em temperatura ambiente. Isso pode ter um efeito profundo na computação e segurança quântica.



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Uma equipe da Universidade de Chicago demonstrou que é possível emaranhar elétrons à temperatura ambiente em um wafer de carboneto de silício.

Para isso, a equipe usou luz laser infravermelha para alinhar os estados magnéticos de milhares de elétrons em 40 micrômetros cúbicos do semicondutor. Em seguida, eles aplicaram pulsos magnéticos para emaranhá-los.

E… deu certo! Na revista Science Advances, a equipe relata que alcançou o feito em condições ambiente, ao contrário de temperaturas abaixo de -270°C que são normalmente exigidas.

Este pode ser um avanço notável. David Awschalom, que liderou a pesquisa, explica em comunicado que o entrelaçamento à temperatura ambiente “tem implicações importantes em dispositivos quânticos do futuro”.

O entrelaçamento pode, em tese, ser usado para criar uma criptografia imbatível. Este efeito quântico impediria que outras pessoas interfiram em seus dados: quaisquer alterações em um lado seriam refletidas imediatamente no outro lado.

Isto também poderia ser útil para relógios quânticos, usados ​​para manter o controle de sistemas GPS: quanto mais átomos estão entrelaçados, mais preciso é o relógio.

Há também implicações para a computação quântica: ao realizar o entrelaçamento em temperatura ambiente, não seria mais necessário usar sistemas de resfriamento complexos e caros.

Mas, por enquanto, é mais provável que o efeito quântico seja usado em sensores ligeiramente menos avançados, para uso em aplicações de imagiologia biomédica. No longo prazo, as coisas podem ficar um pouco mais emocionantes.

[University of Chicago]

Imagem por Awschalom Group