A sonda espacial OSIRIS-REx foi lançada em 8 de setembro de 2016 para estudar o asteroide Bennu. Mas no final do ano passado, um de seus experimentos detectou algo surpreendente: um clarão de um buraco negro.

A OSIRIS-REx foi lançada com um conjunto de instrumentos, incluindo o Espectrômetro de Imagem de Raios-X Regolito, ou REXIS, na sigla em inglês. O instrumento, feito por estudantes e pesquisadores do MIT e de Harvard, tem como objetivo medir os raios-x que Bennu emite depois que o Sol o irradia.

Porém, ele também pode detectar outros fenômenos de raios-x, como uma explosão do MAXI J0637-043, um buraco negro a 30.000 anos-luz de distância. A descoberta está detalhada num comunicado de imprensa do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.

Os responsáveis pela missão OSIRIS-REx escolheram Bennu como alvo porque o asteroide é feito de material de carbono praticamente inalterado desde os primórdios do sistema solar (sem contar que ele não está muito longe da Terra).

Além de trazer uma amostra do asteroide para a Terra, a espaçonave tem uma série de equipamentos científicos para estudar o objeto, incluindo câmeras, instrumentos de varredura e espectrômetros de medição de composição, como o REXIS. O principal objetivo do experimento REXIS é treinar os alunos a construir, operar e gerenciar o equipamento de vôo espacial.

Dois telescópios na órbita da Terra também captaram a explosão, mas a observação pelo REXIS é a primeira feita desse tipo a partir do espaço profundo.

Embora os cientistas tenham apontado o instrumento do tamanho de uma bola de futebol americano para Bennu, outras fontes de raios-x brilham e aparecem nas imagens, especialmente porque não há atmosfera para absorver os raios-x como há na Terra.

Os cientistas usam diferentes comprimentos de onda de luz para explorar a variedade de objetos no universo. Os telescópios de raios-x são populares por observarem fontes de alta energia como supernovas, buracos negros e outros objetos quentes.

Bennu não emite raios-x diretamente; ele absorve raios-x do Sol e os irradia novamente em um comprimento de onda ligeiramente diferente, um fenômeno chamado fluorescência. Os cientistas podem usar esta informação juntamente com outros comprimentos de onda emitidos para ajudar a caracterizar os tipos de elementos que o Bennu contém.

“Detectar essa explosão de raios-x é um momento de orgulho para a equipe do REXIS. Significa que nosso instrumento está funcionando como esperado e ao nível exigido dos instrumentos científicos da NASA”, disse Madeline Lambert, uma estudante graduada do MIT, no comunicado da NASA.

Parabéns a essa equipe de estudantes por sua descoberta inesperada!