Pode até parecer algo digno do Michael Myers, da série de filmes Halloween, mas o dispositivo que você vê acima, na verdade, é um avanço na neurociência — um escaneador cerebral portátil e vestível capaz de monitorar atividade neural enquanto uma pessoa está se mexendo.

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A maior parte da tecnologia de escaneamento cerebral é bastante difícil de manejar. Pense em dispositivos enormes, do tamanho de um cômodo, como máquinas de ressonância magnética funcional. Mas medir a atividade cerebral de alguém enquanto a pessoa está conectada e embalada como uma sardinha em um escaneador gigante tem seus limites.

Para começar, pode ser difícil medir o desenvolvimento cognitivo de bebês e crianças, que tendem a não ficar muito quietos. E é difícil estudar coisas como navegação espacial e distúrbios de movimento, que exigem que as pessoas se movimentem.

Embora o novo escaneador certamente não seja esteticamente favorecido, ele poderia abrir as portas para uma série de novas aplicações de escaneamento cerebral. O projeto foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Nottingham e da University College London e foi descrito nesta semana, no periódico Nature.

Ele usa uma tecnologia chamada magnetoencefalografia, ou MEG, que mede sinais magnéticos gerados pelas correntes elétricas do cérebro no couro cabeludo. Com análise matemática, esses campos podem ser usados para criar um mapa 3D da função cerebral com resolução de milissegundos. O MEG é uma técnica já usada para estudar o cérebro, mas, assim como as máquinas de ressonância magnética funcional, os sistemas MEG são normalmente trabalhosos e precisam ficar perfeitamente parados.

Mas pesquisadores britânicos conseguiram encolher a tecnologia até o tamanho de um capacete com a ajuda de sensores quânticos. Cada sensor contém um gás de átomos de rubídio com propriedades alinhadas por um feixe de laser. Atividades cerebrais podem causar um pequeno campo magnético e, portanto, induzir pequenas mudanças nesses átomos, diminuindo a intensidade do feixe.

Tudo isso permite que um sensor não precise ser super-resfriado da maneira como escaneadores concorrentes precisam. Em testes do dispositivo, eles apontam que a tecnologia também permite o escaneamento do cérebro durante atividades naturais, como beber uma xícara de café.

Outros grupos, como a startup de neurotecnologia Open Water, esperam miniaturizar a tecnologia de escaneamento cerebral, permitindo não apenas novas vias de pesquisa, mas também um constante monitoramento cerebral — e, talvez, dizem eles, até mesmo a capacidade de ler os pensamentos das pessoas em tempo real.

Imagem do topo: Universidade de Nottingham