A relação esquizofrênica entre a especulação imobiliária dos novos bairros nobres paulistanos e a proteção ambiental fica escancarada no caso. Apesar de despejar todos os detritos no rio, os prédios da região tem encanamento e rede coletora de esgoto, mas falta tubulação para levar o lixo para um mísero centro de tratamento. Para completar, a Sabesp já tem um plano de reforma desde a década de 90, mas só deve começar as obras no próximo semestre.

Ainda segundo a Folha, a região do Morumbi, que também tem contato direto com o rio Pinheiros — além da fama de nobre e emergente — tem pelo menos 571 conexões irregulares de esgoto que desembocam todo o lixo no rio. Mas diferente do caso do Panamby, onde é preciso uma obra pública, esses pontos requerem obras particulares de prédios e outros estabelecimentos. Talvez a solução seja entupir os canos e deixar o esgoto nos prédios — quando o cheiro dominar a piscina olímpica de 30 e tantas raias, os condôminos deverão fazer um abaixo-assinado e uma passeata. [Folha; foto por: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress]