No fim do mês passado, um operador de escavadeira estava trabalhando em uma turfeira no município de Mircze, na Polônia, quando acidentalmente se deparou com esse glorioso espécime de artesanato do século XIV. A espada notavelmente bem preservada é um achado único para a área, e sua descoberta levou a uma expedição arqueológica.

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Wojciech Kot, descobridor da espada, doou o artefato para o Museu Fr. Stanislaw Staszic, em Hrubieszów, e a equipe do museu está atualmente trabalhando na análise da arma medieval. A espada está bem corroída, mas, considerando que esteve enterrada em uma turfeira por mais de 600 anos, sua condição de preservação é bastante notável. Apenas o cabo original, que provavelmente era feito de osso, madeira ou chifre, não existe mais.

Originalmente, essa espada do século XIV media 120 cm, pesando apenas 1,5 quilo. “O aperto alongado foi projetado para o uso com as duas mãos, o que, combinado com seu alcance longo e seu peso leve, tornou a espada uma arma ágil para cavaleiros com armaduras em uma batalha”, nota The History Blog. “Esse design é típico do século XIV.”

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Imagem: Museu Fr. Stanisław Staszic

A barra traseira da espada apresenta uma cruz isósceles inscrita dentro da forma de um escudo heráldico, que provavelmente foi feito pelo ferreiro. Como explicou o diretor do Museu Fr. Stanislaw Staszic, Bartlomiej Bartecki, ao site PAP, da Polônia, esse símbolo provavelmente era a marca do criador e normalmente ficaria obscurecido pelo cabo da espada.

“Esse é um achado único na região”, Bartecki contou ao PAP. “Vale apontar que, embora existam artefatos similares em coleções de museu, seus locais de descobertas são frequentemente desconhecidos, e isso é uma informação muito importante para historiadores e arqueólogos.” Em relação a como a espada foi parar na turfeira, Bartecki diz que é “possível que um cavaleiro desafortunado tenha sido puxado para o pântano, ou simplesmente tenha perdido sua espada”.

Uma rápida aula de história do The History Blog explica a provável origem da espada:

A área aparece pela primeira vez no registro histórico no século XIII, em que é mencionada como o local de alguns alojamentos de caça cercados por florestas. A região foi parte da Rutênia (também conhecida como Rússia Kievana) à época e foi absorvida pelo Reino da Polônia em 1366, um século após a desintegração da Rus. O governante polonês construiu um castelo em Hrubieszow no fim do século XIV. Então, pelo menos a segunda metade do século ofereceu boas oportunidades de emprego para cavaleiros. Ou então ele (o cavaleiro dono da espada) podia apenas estar passando por lá e virou para o lado errado, caindo no pântano.

Nos próximos dias e semanas, arqueólogos conduzirão escavações ilimitadas na turfeira em que a espada foi encontrada; os pesquisadores esperam achar os elementos perdidos do equipamento do cavaleiro, assim como outras pistas que possam explicar como a arma foi parar ali. Quanto à espada, ela ainda está passando por análise e será eventualmente preservada e colocada à mostra no museu.

Um adendo importante: grande parte desse pântano não identificado (sua localização está sendo mantida em segredo para evitar saqueamento) está no processo de ser drenado, que é o motivo pelo qual ele foi descoberto em primeiro lugar. Embora isso seja certamente fortuito, vale notar que turfeiras têm um papel ambiental importante, capaz de atenuar os efeitos da mudança climática. E, como esse episódio mostra, elas também contêm restos preservados de nossa herança cultural. É melhor a gente lembrar disso antes de drenarmos os pântanos.

[Science & Scholarship in Poland via The History Blog]

Imagem do post: PAP/ Wojciech Pacewicz