Uma espada encontrada em um túmulo Viking sugere que a arma em questão pertenceu a um guerreiro canhoto. E esta característica talvez seja a maior descoberta dos arqueólogos.

“Estou um pouco surpresa com o quão pesada era a espada”, disse Astrid Kviseth, arqueóloga da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (UNCT), à publicação Science Norway, da própria instituição de ensino. “Não sei exatamente o quão pesada é uma espada, mas ela tinha um certo peso. Você teria que ser muito forte para conseguir carregá-la”.

Kviseth, junto com Raymond Sauvage, seu colega na universidade, tem escavado túmulos e sepulturas Vikings perto da vila norueguesa de Vinjeøra. As obras no local têm sido realizadas como parte de um projeto de ampliação de uma rodovia. Os túmulos e sepulturas antigas, por sua vez, ficam em uma fazenda Viking que data dos séculos 9 e 10 depois de Cristo.

Arqueólogos encontram espada Viking. Crédito: UNCT

A arqueóloga Astrid Kviseth carregando a espada viking. Imagem: Museu da UNCT

Além da espada, que graças à ação do tempo ficou corroída, foram encontrados um machado, uma lança e um escudo – todos estavam em uma vala anelar ao redor de um cemitério. Os arqueólogos acreditam que, pela quantidade de objetos, alguém muito importante e com grande honra foi enterrado ali.

O fato de um guerreiro Viking ter sido encontrado enterrado em uma fazenda não é uma surpresa, já que, segundo Sauvage, “a maioria dos guerreiros eram homens livres que possuíam as próprias terras”. Na verdade, existia uma lei que obrigava os agricultores a comprar armas, entre elas machados, escudos, lanças e espadas.

Normalmente, as espadas são colocadas ao lado direito de um túmulo Viking. Isso pode soar estranho, uma vez que pessoas destras mantinham suas bainhas no lado esquerdo de seus corpos, para sacar as espadas mais rapidamente. Uma teoria é de que a vida após a morte para os Vikings nada mais é do que a “imagem espelhada do mundo superior”. De acordo com Sauvage, a localização incomum da espada sugere que o guerreiro era canhoto, pois essa característica o preparou para a vida após a morte.

Arqueólogos encontram espada Viking. Crédito: UNCT

A espada Viking. Imagem: Museu da UNCT

O túmulo do guerreiro canhoto se cruzou com as covas de outros três guerreiros, o que, dependendo da interpretação, pode soar indigno ou casual. Mas essa era uma prática de enterro cheia de simbolismo.

“Podemos imaginar que esta prática de sepultamento é uma expressão do quão importante eram os ancestrais familiares em uma fazenda na época dos Vikings. Além de estarem presentes na fazenda como espíritos companheiros – os chamados fylgjur -, os ancestrais podiam continuar vivendo fisicamente nos túmulos. Isso confirma que a propriedade desta terra era da família do guerreiro, e ser enterrado perto de um ancestral ou antepassado importante talvez tenha sido uma forma de ser incluído na comunidade de antigos espíritos”, explicou Sauvage.

Os arqueólogos da UNCT também descobriram um túmulo de cremação que provavelmente pertencia a uma mulher, já que foram encontrados bens como um broche oval, tesouras e pérolas. Este túmulo era particularmente estranho, pois tinha 2 kg de cinzas de ossos, o que equivale a um corpo humano inteiro queimado. Na maioria dos túmulos Viking, os arqueólogos tendem a encontrar apenas 250 gramas de restos cremados. Ainda não se sabe o motivo pelo qual todos os restos mortais dessa pessoas foram incluídos no sepultamento.

A espada Viking foi levada para um laboratório de conservação, onde será analisada por meio de uma máquina de raios-X. Os pesquisadores esperam ver o que pode estar escondido por trás da ferrugem, como ornamentação ou soldagem padronizada.