Internet das coisas pode esbarrar na neutralidade da rede, diz ex-chefe do FCC

A neutralidade da rede é um dos pontos mais defendidos quando se fala de regulamentação da Internet, mas, em alguns anos, será impossível mantê-la. A avaliação foi feita por Robert Pepper, ex-chefe da FCC (Federal Communications Commission, órgão que regula o setor de telecomunicações dos EUA) no IGF 2015.

O executivo, atualmente vice-presidente da Cisco, diz ser a favor de princípios, mas também acha que o crescimento da Internet das Coisas será um problema, pois exigirá o gerenciamento das conexões, uma das coisas que a neutralidade da rede tenta impedir.

“43% das coisas serão conectadas em 2019”, prevê Pepper. “Iremos precisar de gerenciamento de rede por complexidade. E regras bem intencionadas poderão bloquear esse processo.”

Zero rating

Um dos pontos de maior polêmica quando se fala em neutralidade da rede é o chamado “zero rating”, acesso a determinados serviços ou sites sem cobrança ou sem descontar da franquia. Para o professor da Universidade de Palermo (Argentina) Eduardo Bertoni, “estamos confundindo acesso à internet com acesso às plataformas. ‘Zero rating’ não é acesso à internet.”

Harold Feld, vice-presidente da Public Knowledge, disse que as violações à neutralidade da rede não são para oferecer vantagens aos usuários, e relembrou o caso da Comcast, processada por limitar a velocidade de conexão em redes peer-to-peer.

Houve também vozes contrárias à neutralidade da rede. O professor da Universidade da Pensilvânia (EUA) Christopher Yoo, vê com bons olhos a prática:

Em países em desenvolvimento, o ‘zero rating’ está sendo oferecido para quem não tem qualquer conexão. É um fenômeno complexo

Já o presidente da organização TechFreedom, Berin Szoka, é contra qualquer regulação por achar que elas colocam “a internet em uma caixa”. Para ele, regulamentações podem deter a inovação, e exceções à neutralidade da rede podem estimular a competição.

[O Globo; TeleSíntese; Foto: Ricardo Matsukawa]