Andy Rubin foi o cara do Android: ele quem criou o sistema operacional, comprado pelo Google em 2005, e que hoje está presente em bilhões de dispositivos. Depois de nove anos na empresa, ele decidiu cair fora e fundar a Essential Products, que anunciou hoje os seus primeiros produtos: um smartphone e um assistente para casas inteligentes que roda um sistema próprio. Foi tudo online, ninguém pôs a mão nos aparelhos finalizados. Apesar disso, o projeto é ambicioso e um tanto promissor; com muitos riscos, mas tentará trazer oxigênio para um mercado estritamente dominado por Apple e Samsung.

Essential Phone

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O Essential Phone tem visual elegante e chega com características similares dos últimos topos de linha: a tela de 5,71 polegadas com proporção 19:10 ocupa praticamente toda a parte frontal. A parte maior da borda está na parte inferior. Bem no centro da parte superior, a câmera frontal “fura” o display, num espaço que normalmente fica vazio nos celulares Android. A resolução é de 2560 x 1312 pixels e o painel tem tecnologia CGS/LTPS.

A construção parece ser um dos trunfos do modelo: o corpo dele é feito de titânio e cerâmica resistente a quedas; são 7,8 mm de espessura e 185 gramas. Ainda na pegada do design, o aparelho aposta em conexões modulares bem semelhantes a que vemos no Moto Z: a traseira possui um conector magnético, chamado Click, para encaixar acessórios. O Click fica ao lado da câmera e já pode ser utilizado com dois produtos: o Essential Phone Dock, base para recarregar a bateria e uma câmera 360 graus.

Falando em câmera, são dois sensores, assim como no iPhone 7 Plus e no LG G6. Mas eles funcionam de forma diferente: há um sensor comum de 13 megapixels, e outro monocromático também de 13MP para captar mais luz. A lente tem abertura f/1,85 e o modelo conta autofoco híbrido (laser, detecção de fase e contraste). Essa abordagem já é utilizada pela Huawei, com o P9 e P10.

Para rodar tudo isso, o Essential Phone tem processador Qualcomm Snapdragon 835, 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento e bateria de 3.040 mAh com carregamento rápido via USB-C. Não há a tradicional entrada P2 para os fones de ouvido, mas um adaptador vem na caixa para você plugar seus fones na USB.

Basicamente, o Essential Phone reúne as grandes características de diversos produtos do mercado: visual elegante e com materiais nobres, uma tela enorme que ocupa todo o espaço frontal, conectores modulares para acessórios, um sistema de câmeras promissor e especificações que, no papel, indicam alta performance. O preço, no entanto, não é lá tão convidativo: ele já está em pré-venda, apenas nos Estados Unidos, por US$ 699. Ainda não há uma data definida para o lançamento oficial.

Essential Home

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A Essential Products também competirá com Google Home e Amazon Echo. O alto-falante inteligente Essential Home tem como trunfo o Ambient OS, sistema operacional próprio, que tem “foco em privacidade” e é integrado com uma série de outros produtos.

O assistente sempre tentará executar as tarefas localmente, sem o envio de dados e instruções para a nuvem, garantindo menos compartilhamento de dados. Em compensação, o produto quer entender a planta da sua casa, as pessoas que vivem nela e os vários serviços e dispositivos disponíveis para oferecer uma experiência mais integrada.

O time de desenvolvimento do Ambient OS combinou uma série de APIs públicas e integrações com SmartThings, HomeKit, Nest, entre outros. Por isso, ele funciona com a Alexa, Siri e Google Assistant.

Por enquanto, não há preço nem data de lançamento previstos para o Essential Home.

Briga por espaço

A missão de Rubin com a Essencial Products será bem difícil, uma luta de Davi contra Golias. Por mais que sejam produtos bem acabados e interessantes, é difícil bater de frente com Apple e Samsung: nem gigantes como Microsoft conseguiram ganhar algum espaço dentro dessa hegemonia. Apesar do Essential Phone ainda rodar Android, a intenção é que no futuro o Ambient OS prevaleça em todos os produtos da empresa.

O primeiro desafio é ganhar o mercado dos Estados Unidos. O Essential Phone é ligeiramente mais barato do que o Galaxy S8 e iPhone 7, mas ainda não foram anunciadas parcerias com as operadoras, uma estratégia essencial no mercado americano. Agora é esperar o aparelho chegar no mercado – e na mão da imprensa – para descobrirmos se o Essential tem alguma chance.