Esta semana, o Anonymous prometeu fazer “tudo o que for necessário para acabar com as ações” do Estado Islâmico. O grupo terrorista então respondeu chamando o coletivo hacker de “idiotas”.

>>> Não é certo culpar a criptografia pelos ataques terroristas em Paris



De acordo com a Newsweek, a resposta veio através do app Telegram, no canal oficial do Estado Islâmico. Eles dizem:

Os hackers do Anonymous ameaçaram em um novo vídeo que eles vão realizar uma grande operação de hacking no Estado Islâmico (idiotas). O que eles vão hackear… tudo o que eles podem fazer é hackear contas no Twitter, e-mails etc…

O Estado Islâmico então deu algumas dicas sobre o Twitter para seus seguidores:

Não fale com pessoas por mensagem direta no Twitter porque eles podem hackear você. Não use como e-mail o mesmo nome de usuário no Twitter, este erro já custou a conta de muitos Ansar (ajudantes) e os kuffar (infiéis) publicaram o IP deles, então tome cuidado.

Este mês, um rapaz de 25 anos foi detido nos EUA após reblogar um GIF no Tumblr. O FBI descobriu seu paradeiro solicitando dados de IP ao Twitter para uma conta que simpatizava com o Estado Islâmico.

Eles também mencionaram o próprio Telegram:

Não fale com pessoas que você não conhece no Telegram, e bloqueie essas pessoas se for necessário, pois há muitas falhas no Telegram e eles podem hackear você com isso.

O Telegram está fechando canais públicos que eram usados para propaganda do Estado Islâmico. Em uma mensagem no canal público @telegram, a empresa diz que bloqueou 78 canais em doze idiomas, e está recebendo denúncias através do e-mail abuse@telegram.org.

O Telegram diz em comunicado ao Ars Technica que não está restringindo a liberdade de expressão: “por exemplo, se criticar o governo é ilegal em um país, o Telegram não fará parte de tal censura politicamente motivada”. No entanto, o app não permite conteúdo de terroristas.

Em outubro, um relatório dizia que o Estado Islâmico e a Al Qaeda criaram canais no Telegram para enviar mensagens e arquivos criptografados, incluindo “tutoriais sobre fabricação de armas e ataques cibernéticos, apelos para matar e para ataques direcionados, e mais”.

Autoridades na Europa dizem que os atentados de Paris foram planejados com o uso de comunicações criptografadas, mas não mostram provas de que isso aconteceu – os investigadores ainda não sabem os detalhes dos ataques.

Como dissemos por aqui, não adianta culpar o Telegram ou a criptografia pelas ações de terroristas. Agências de espionagem americanas querem deixar o público temeroso, sugerindo que se a internet fosse um pouco menos segura, elas conseguiriam impedir ataques – algo que sabemos não ser verdade.

Segundo o The Intercept, investigadores acessaram dados no smartphone de um dos terroristas de Paris: os dados não estavam criptografados e ele se comunicava por SMS. E como lembra a Bloomberg, os terroristas que sequestraram os aviões do 11 de Setembro se comunicavam por mensagens sem criptografia no Hotmail, trocando o termo “World Trade Center” por “Faculdade do Comércio”.

[Newsweek via NYMag via Gawker; Ars Technica]

Foto por Hussein Malla/AP