“Nós matávamos muitos agentes do FBI e da DEA, mas não vale mais a pena matar agentes da DEA (a agência anti-narcotráfico dos EUA) porque eles têm chips implantados que ajudam a localizar os corpos”. A revelação, feita com incrível naturalidade, é de um ex-Sicario (capanga de alto nível do narcotráfico do México) e mostra quão surreal é a situação daquele país. Os implantes de GPS estão na moda também entre “civis” mexicanos, que pagam US$ 4.000 para ter um localizador implantadosob a pele, especialmente na Ciudad Juárez, considerada a mais violenta do mundo.

Para se ter uma ideia, Ciudad Juárez tem uma taxa contabilizada de mais de 130 homicídios por 100.000 habitantes (o Rio de Janeiro, por exemplo, tem 38 mortes violentas por 100.000). O índice de sequestros é impossível de ser contabilizado, mas segundo o mesmo ex-sicário,  menos de 10% dos sequestrados lá são devolvidos vivos às famílias, quando devolvidos. Os corpos são escondidos em “casas-cofre” junto com centenas de defuntos. Era nesses lugares que os traficantes escondiam os agentes da polícia americana assassinados, mas o medo dos localizadores fez eles mudarem de prática.



Todas essas revelações estão no filme El Sicario, quarto 164, em cartaz no festival de documentários É tudo Verdade, em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro até dia 10. Assisti ontem o filme-entrevista com o ex-capanga (agora um fugitivo-cristão-devoto) e achei que a “ficção” de Tropa de Elite 2 é até amena em comparação com a situação de outros hermanos latinos. O interessante é notar que o fortalecimento do narcotráfico começou, lá também, com a corrupção dos policiais.