Que as abelhas podem ser – e são – organizadas quando se trata de trabalhar em equipe e manter o funcionamento da colmeia, nós sabemos. Numa colônia de abelhas, o número de operárias pode chegar a 100 mil e elas, mesmo assim, realizam o trabalho com êxito.

Agora, ver duas abelhas unidas com a finalidade de abrir uma garrafa de refrigerante, é tão impressionante quanto.

Em um vídeo publicado no Twitter, um internauta de São Paulo compartilhou o momento que deixou sua garrafa de Fanta entreaberta, e as abelhas “roubaram” seu refrigerante, como ela descreve. O post foi suficiente para levantar dezenas de comentários questionando o comportamento e inteligência dos insetos. Desacreditado, um deles diz: “eu não acreditaria se eu não estivesse vendo, eu nem tenho certeza se de fato eu acredito.”

 

Mas, seria possível que animais tão pequenos, com cérebros tão pequenos pudessem se organizar para fazer algo que não é de sua natureza?

Em um experimento feito com zangões, os insetos foram treinados para rolar uma bola e marcar um gol, cada vez que o faziam, ganhavam uma recompensa. Nos testes, eles precisavam copiar os movimentos uns dos outros e aprender com seus erros. Com os resultados, os pesquisadores puderam compreender a capacidade cognitiva dos bichos quando utilizavam uma ferramenta para atingir o objetivo e também se espantaram com a facilidade que os insetos conseguiram desenvolver o desafio.

Mas, nem sempre esses insetos foram vistos como inteligentes. No ano de 1962, uma década antes de ganhar o Prêmio Nobel de pesquisa sobre a comunicação das abelhas, o etologista (estuda comportamento animal) Karl von Frisch declarou que as abelhas tinham cérebros pequenos demais para pensar, atribuindo suas façanhas um instinto próprio. A partir daí, questões sobre quanto o cérebro de uma abelha poderia aguentar foram diversas vezes estudadas.

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Apesar de parecer pequenos e simples, os cérebros dos zangões são capazes de realizar tarefas de aprendizagem complexas, como lembrar os melhores lugares para buscar néctar e pólen. Tudo isso pôde ser observado graças a novas técnicas de estudo que consistem em não tirar o cérebro do inseto para estudo – como era feito antigamente – mas sim com uma tecnologia semelhante à tomografia computadorizada. 

De fato, ainda há muito o que se estudar para entender o funcionamento do cérebro dos insetos e dizer que eles se comportam de maneira inteligente quando estão expostos a situações que fogem do seu habitat natural. Mas, já contrariando a tese de Karl von Frisch, o tamanho do cérebro não necessariamente influencia no comportamento de um inseto, é necessário levar em conta como atuam as conexões entre os neurônios que têm papel fundamental no desempenho intelectual. Ficaremos atentos aos novos estudos e necessariamente, às nossas garrafas de refrigerante.

[ScienceAlert]