Enquanto o debate pelo Código Florestal continua, uma das principais ferramentas de monitoramento da floresta amazônica, o satélite Amazônia 1, não foi lançado dentro do prazo previsto, abril deste ano, e ainda não há uma nova previsão exata. Mas por que o país não consegue colocar em órbita um satélite relativamente simples? Por completa falta de cacoete no assunto.

Marco Antônio Chamon, coordenador de gestão tecnológica do Inpe, foi bem direto ao ser questionado sobre o assunto. Para ele, a adaptação da indústria nacional foi mais lenta do que o imaginado, e as empresas “penaram para aprender como fazer”. O motivo da dificuldade é simples: com a baixa demanda de produção de tecnologia espacial, a indústria não se especializa no assunto e não está pronta para o desenvolvimento.

O Amazônia 1 tem 550 quilos e, segundo Chamon, já está pronto na parte mecânica — o problema é em partes por causa de componentes eletrônicos que não resistem às câmaras de testes. Outro provável gargalo é na área de software: não há grandes empresas investindo na criação de sistemas de controle para satélites nacionais. O posicionamento das empresas que (tentam) trabalhar no nicho brasileiro é clara:

Para o empresário Célio Costa Vaz, diretor da Orbital Engenharia Ltda, o programa espacial “encontra-se em espiral descendente”, conforme escreveu em artigo publicado na última semana na internet, na página da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). “As empresas brasileiras dificilmente conseguem sobreviver apenas como fornecedoras do programa espacial e encontram dificuldades para se qualificar e competir no mercado internacional”, acrescenta.

Assim, o Brasil perde a oportunidade de utilizar satélites simples em seu espaço aéreo não apenas para controle florestal, mas também para previsão de catástrofes naturais, aumento do alcance das redes de telecomunicação e, consequentemente, da banda larga do país. [Agência Brasil]