Um estudo da Universidade de Calgary, no Canadá, mostrou que a dexametasona, um dos principais medicamentos para tratar infecções graves por Covid-19, pode beneficiar mais homens do que mulheres.

O motivo: o remédio altera o funcionamento das células imunológicas, o que pode ajudar pacientes do sexo masculino, mas tem pouco ou nenhum benefício para as mulheres.

Quem coordenou

Esses dados super importantes ​​são resultados de um estudo multidisciplinar liderado pelo Dr. Jeff Biernaskie, Ph.D., professor de Biologia Comparativa e Medicina Experimental na Faculdade de Medicina Veterinária (UCVM) e Dr. Bryan Yipp, MD , professor associado do Departamento de Medicina Intensiva da Escola de Medicina Cumming.

“Descobrimos que os homens obtinham benefícios dos esteroides e as mulheres, tanto no nível celular quanto na população, recebiam benefícios limitados. Atualmente, é possível que a terapia básica para a COVID-19 grave que estamos administrando a todos esteja beneficiando apenas metade da população. Este é um grande problema”, explicou Yipp, Presidente de Pesquisa em Imunologia Pulmonar, Inflamação e Defesa do Host do Canadá.

No início da pandemia, os esteroides foram os primeiros medicamentos identificados com benefícios comprovados, mas tiveram um sucesso moderado na redução de mortes, e o que eles fizeram exatamente, não foi compreendido, como eles agiam contra a infecção não ficou claro.

Questionamentos

Por que algumas pessoas sentiram mais a doença e outras não? Por que certas drogas fizeram mais efeitos em algumas pessoas?

“Para poder desenvolver novos tratamentos, queríamos estudar como diferentes pessoas respondem à infecção por SARS-CoV₂ e como diferentes respostas imunológicas ditam a gravidade de sua doença”, disse Biernaskie.

Ao acessarem o banco de dados de todas as admissões na UTI durante a pandemia, eles descobriram que a introdução da terapia com dexametasona em Alberta, Canadá, reduziu o número de homens morrendo, mas não teve o mesmo efeito com a população feminina. “Essa foi uma observação inquietante”, disse Yipp.

Estudo intensivo

Para estudar o problema, os pesquisadores coletaram sangue de pacientes com COVID-19 e sem COVID-19, internados com dificuldade respiratória grave.

Eles usaram técnicas de bioinformática e sequenciamento de RNA de célula única de ponta para analisar simultaneamente os estados funcionais de milhares de células do sistema imunológico de cada paciente. Isso permitiu que documentassem os comportamentos celulares em diferentes estágios da doença (infecções por COVID-19 ou não) e medissem os efeitos do tratamento.

“Coletamos amostras do máximo de pacientes que pudemos, não apenas uma vez, mas o máximo de vezes que pudemos, para ter uma ideia da evolução da doença e da evolução da resposta imunológica”, explicou Biernaskie.

Na maioria das infecções virais, as proteínas chamadas interferons trabalham para eliminar o vírus rapidamente. Entretanto, no caso da COVID-19, em vez de funcionar rápido, ele desacelerou em alguns casos, especialmente em mulheres.

“O que descobrimos foi que especificamente em homens, vemos uma resposta exagerada do interferon neutrófilo, que é significativamente contida quando um paciente recebe dexametasona. Mas com as mulheres, em relação aos homens, a resposta do interferon neutrófilo foi muito mais moderada, então a dexametasona teve pouco efeito”, disse Biernaskie.

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A busca por novas terapias

Após identificar as razões de existir uma diferença ligada ao gênero na forma como a dexametasona funciona, os pesquisadores dizem que é necessário a descoberta de novas terapias, que beneficiem mais pessoas, ou terapias individualizadas, também conhecidas como medicina personalizada, para que uma abordagem geral atinja todos os públicos.