Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis, nos EUA, realizaram experimentos com macacos para testar respostas imunológicas ao vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19. O resultado, publicado nesta sexta-feira (22) na Nature Communications, foi que a indução de anticorpos específicos pode ser a chave para garantir uma proteção mais eficaz.

O estudo foi conduzido no Centro Nacional de Pesquisa de Primatas da Califórnia com oito macacos-rhesus. Smita Iyer, professora assistente de patologia, microbiologia e imunologia da universidade, explicou em comunicado da instituição que o sistema imunológico, apesar de exercer uma função protetora durante a recuperação da doença, também pode causar graves complicações em algumas pessoas caso não esteja controlado. Os médicos chamam isso de “tempestade de citocinas”.

Por esse motivo, Iyer diz que os estudos feitos com animais são essenciais para identificar como as vacinas impactam nosso sistema imunológico e, assim, aumentar a sua eficácia.

Os oito macacos do estudo foram infectados com o vírus SARS-CoV-2 isolado do primeiro paciente registrado como caso de transmissão comunitária nos EUA; ou seja, que não estava relacionado a alguém vindo de outro país. Os pesquisadores acompanharam os animais durante duas semanas. Os sintomas foram leves ou inexistentes, com uma resposta imunológica breve e momentânea.

No artigo, os cientistas ainda descrevem que os macacos mostraram a mesma resposta imunológica eficaz observada no caso de outras infecções virais. As células de resposta Th1, por exemplo, foram produzidas no sangue, pulmão e gânglios linfáticos, além dos anticorpos IgM e IgG, sendo este último associado à uma proteção a longo prazo.

O comunicado da universidade ainda ressalta que as estruturas chamadas centros germinativos se desenvolveram nos gânglios linfáticos próximos aos pulmões e continham células Tfh. Os centros germinativos e as células Tfh são associadas à produção de células plasmáticas, que permanecem no corpo por muito tempo a fim de produzir anticorpos contra patógenos já conhecidos pelo sistema imunológico. Ou seja, elas ajudam o sistema a “lembrar”, mesmo após anos ou décadas, de certos agentes infecciosos e reagir para combatê-los.

Conforme apontado por Iyer, “esses resultados sugerem que as vacinas que induzirem respostas Th1-Tfh fornecerão melhor imunidade”.

[EurekAlert]