Os perigos potenciais a longo prazo do uso de cigarros eletrônicos têm sido amplamente hipotéticos, mas um novo estudo divulgado nesta segunda-feira (16) fornece a primeira evidência real de que isso pode aumentar o risco de doença pulmonar crônica em humanos. E embora o risco já possa ser muito maior para quem fuma cigarro tradicional, ele é amplificado ainda mais em pessoas que fumam tanto o cigarro eletrônico como o tradicional.

O estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine, baseia-se em dados de um outro projeto de pesquisa, liderado pelo governo e já existente, chamado de Estudo da Avaliação da População de Tabaco e Saúde, ou PATH. Como parte do estudo, quase 50.000 voluntários com mais de 12 anos foram questionados sobre o uso de produtos de tabaco – incluindo nicotina para cigarros eletrônicos – e tiveram sua saúde geral registrada. Eles foram entrevistados a cada um ou dois anos, durante três anos.

Os autores do novo estudo descobriram que pessoas que relataram ser usuárias atuais ou antigas de cigarro eletrônico no início do estudo tinham maior probabilidade de desenvolver doenças pulmonares, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite crônica, enfisema ou asma, até três anos mais tarde do que aqueles que não relataram uso de cigarro eletrônico (usam apenas o cigarro tradicional). Especificamente, suas chances de doença pulmonar aumentaram cerca de 30%, depois de contabilizar outros fatores de risco, como idade ou hábito de fumar coexistente.

“Concluímos que os cigarros eletrônicos são prejudiciais por si só e os efeitos são independentes de fumar o cigarro convencional”, disse o autor do estudo Stanton Glantz, diretor do Centro de Pesquisa e Educação em Controle do Tabaco da Universidade da Califórnia em San Francisco, em um comunicado divulgado pela universidade.

Esse tipo de pesquisa pode apenas sugerir uma conexão entre o uso de vaporizadores e doença pulmonar crônica. Mas como o estudo acompanhou a saúde das pessoas e o uso de tabaco ao longo do tempo, suas conclusões fornecem evidências mais firmes de causa e efeito diretas do que outros estudos que analisam apenas um retrato da saúde das pessoas.

As descobertas do estudo vêm em meio a um debate contínuo sobre os méritos do vaping como uma ferramenta de redução de danos para as pessoas que tentam parar de fumar. Elas apoiam um contra-argumento comum feito por defensores de cigarros eletrônicos e alguns médicos de que os e-cigarettes são muito menos prejudiciais do que o tabaco. Os fumantes de tabaco tinham 260% mais chances de desenvolver doenças pulmonares durante o mesmo período, por exemplo, em comparação com pessoas que não fumavam.

Dito isso, na verdade, eram usuários de ambos os produtos que pareciam ter resultados piores. O aumento do risco associado – 330% – foi maior do que o grupo isolado.

Isso é ainda mais preocupante, porque a maioria dos adultos que utilizam vaporizadores são usuários duplos. E enquanto muitos desses usuários duplos dizem que utilizam como uma maneira de parar de fumar, as evidências são variadas sobre se isso acontece com grande sucesso. Isso pode significar que os fumantes de cigarros eletrônicos estão se colocando em maior risco do que pensam, mesmo que não estejam comprando produtos contaminados feitos com THC e aditivos tóxicos.

“Mudar do cigarro convencional para cigarros eletrônicos exclusivamente pode reduzir o risco de doença pulmonar, mas poucas pessoas o fazem”, disse Glantz. “Para a maioria dos fumantes, eles simplesmente adicionam cigarros eletrônicos e se tornam usuários duplos, aumentando significativamente o risco de desenvolver doenças pulmonares”.