Mulheres sabem “ler pensamentos” melhor do que os homens. É o que indica pesquisa publicada no Psychological Assessment. Para chegar a tais resultados foi feito um questionário com 4 mil britânicos e estadunidenses para tentar entender como eles decifram os pensamentos alheios.

Em entrevista ao The Conversation, o Dr. Punit Shah, um dos autores do estudo e principal especialista em processamento cognitivo social do Departamento de Psicologia da Universidade de Bath, explica que é preciso sempre distinguir a leitura de mentes (pensar) da empatia (sentir).

A diferença [entre leitura de mentes e empatia] pode parecer sutil, mas é extremamente importante e envolve redes cerebrais muito diferentes. Todos nós, sem dúvida, tivemos experiências em que sentimos que não nos conectamos com outras pessoas com quem estamos falando, onde percebemos que eles não conseguiram nos entender ou onde as coisas que dissemos foram interpretadas da maneira errada. Muito de como nos comunicamos depende de nossa compreensão do que os outros estão pensando, o que torna o processo bem complexo.

Foram feitas quatro perguntas cruciais para entender o nível do quão fácil ou difícil você acha que é ver as coisas da perspectiva de outras pessoas. O teste obteve respostas confiáveis e interpretações das perguntas semelhantes entre os grupos analisados.

O fato de as mulheres desenvolveram uma melhor leitura de mente do que os homens pode estar ligado à própria criação estabelecida por nossa sociedade, que vai se adaptando a partir do lugar, cultura e contexto que estão inseridas.

No levante deste assunto, um estudo divulgado na Royal Society, propõe que nosso cérebro age como um mosaico que não deve ser determinado pelos seus aspectos biológicos (feminino ou masculino), mesmo que existam diferenças anatômicas. Depois de analisar 1.400 cérebros de homens e mulheres com idade entre 13 e 85 anos, ficou claro que são os fatores externos que determinam a dinâmica da estrutura cerebral.

Os desafios de inserir autistas socialmente

A pesquisa da Psychological Assessment  teve um olhar especial para a população dentro do espectro autista. A pontuação média deste grupo, na habilidade de ler os outro, foi 25% a menos quando comparada as pessoas não autistas. Isso não quer dizer que não exista uma participação social por parte de pessoas com autismo, mas que eles têm menos habilidades sociais.

Uma recente pesquisa mostra que vários pacientes relataram o uso de “compensações” para conseguirem se encaixar na sociedade. Estas formas de inserção são feitas por meio da replicação de movimentos, como gestos com as mãos e expressões faciais de outras pessoas.

Os estudos abrem uma discussão mais ampla para a importância do diagnóstico precoce do autismo e da importância de criar estratégias que possam minimizar as consequências das dificuldades em se comunicar.

Assim, os responsáveis pelo questionário acreditam que ele possa contribuir com a medição mais rápida da leitura de mentes por parte dos médicos, pesquisadores, empresas e até mesmo do público em geral, como adaptar a conduta de análise para pessoas que precisam de uma atenção especial ou até mesmo indicar determinadas funções para indivíduos que requerem um bom entendimento das pessoas, como cargos de liderança.

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Futuramente, também existe o plano de aplicar este questionário em inteligências artificiais para que possam ajudar nos afazeres diários.

[The Conversation]