Se você tivesse me perguntado há um ano se eu compraria um novo PlayStation Portátil da Sony se ele não fosse também um telefone, eu teria dado risada. Então por que eu estou tão desesperado pelo NGP — o PSP2?

A Nintendo e a Sony estão em apuros. Enquanto eles ficaram explorando as suas linhas de games portáteis nos últimos três anos, a Apple apareceu e varreu o mercado, causando mudanças consideráveis nele, com a sua plataforma baseada em tela de toque e com milhares de jogos no mercado cujos preços são inversamente proporcionais às dores de cabeça que causaram em executivos da indústria dos games.

Adicione a isso a excelente navegação web, reprodução de música e a capacidade inerente dos aparelhos iOS de ter centenas de usos diferentes e seria simplesmente bobo da parte da Sony e da Nintendo ignorar a necessidade imediata de se adequar às melhores qualidades do iOS: downloads digitais centralizados a preço baixo, no mínimo.

Há dois anos eu cheguei a sugerir que o próximo PSP deveria ser simplesmente um iPhone com botões de PlayStation e duas alavancas analógicas. O interessante é que todas as sugestões menores que eu fiz para o PSP2 na época – GPS, câmeras, tela de toque, acelerômetros, bússola, 3D, memória flash – estão no NGP. Eu só errei o formato físico.

Eu estou feliz que a Sony não me ouviu, porque eu acho que o NGP/PSP2 pode estar sendo anunciado com o corpo perfeito para o que ele tem que ser: uma poderosa máquina de games portátil.

Duas alavancas analógicas. Todos os sensores e câmeras e telas de toque. Uma tela OLED de alta resolução supostamente linda. O PSP2 chegará o mais próximo possível da experiência de jogo de um console em qualquer lugar.

Pra mim está claro que a Sony sentou e disse “nós podemos fazer um aparelho multiuso matador, ou nós podemos fazer uma máquina dedicada a jogos matadora, mas não as duas coisas”. Dois ou três anos atrás, quando eles provavelmente estavam fazendo os primeiros designs, eu não me surpreenderia de saber que alguns desses designs iniciais talvez fosse bem parecidos com um iPhone. E se os protótipos de “PSP Phone” que vazaram nesses últimos meses forem alguma indicação, aposto que eles se deram conta de que não estavam no caminho certo.

(Eu ainda acho que a Sony poderia fazer um PSP Phone maravilhoso, mas não antes de colocarem o último prego no caixão desse experimento chamado Sony Ericsson. Talvez na próxima geração.)

Em vez disso a Sony vai lançar um monstro portátil que será capaz de fazer todo tipo de coisas que esperamos de um aparelho moderno – navegar na internet, reproduzir filmes etc –, mas que será acima de tudo um videogame. O PSP2 não precisa caber no seu bolso, porque ele não quer competir com o seu smartphone. Ele não quer exatamente competir nem com o seu iPad. Ele está simplesmente tentando ser o melhor portátil de games do mundo. E se os relatos iniciais sobre o 3DS estar causando dores de cabeça nas pessoas se mostrarem verdadeiros, talvez a Sony até tenha uma chance de se tornar líder de mercado sobre a Nintendo.

Agora, há muitas cartas ainda a serem jogadas. A Sony pode se boicotar se decidirem cobrar muito caro. (Qualquer coisa acima de US$ 300, provavelmente.) Mas se eles conseguirem se aproximar do preço do 3DS, que será US$ 250, há uma boa chance do 3DS ser considerado anêmico em uma comparação. Quanto ao software, a Nintendo tem uma tradição extremamente forte, especialmente em portáteis, enquanto a Sony tem dificuldade em abastecer o PSP com bons e variados jogos, especialmente os desenvolvidos por ela própria (first-party).

Sem contar que a Apple provavelmente continuará a ter números incríveis de vendas e lucros com o iOS, então mesmo que a Sony consiga passar a Nintendo nesta geração de portáteis, a Apple ainda pode acabar com… bem, mais dinheiro.

Mesmo assim, há algo no formato do PSP, agora que ele tem uma forma física, que faz sentido de uma forma que não faria tanto se fosse apenas uma lista com as especificações e recursos. Até o touchpad traseiro parece interessante!

A Sony não desistiu do mercado dedicado – hardcore, eu poderia dizer. E por mais que eu goste do meu iPhone e dos seus jogos, algo dentro de mim me diz que eu vou comprar e gostar do PSP2. E que eu não serei o único.