O primeiro teste clínico usando a técnica de edição genética CRISPR é iminente, um significante passo para testar o verdadeiro poder da edição genética em clínicas. No futuro, o governo americano espera que tratamentos para câncer e outras doenças que utilizem edição genética atinjam um maior número de pacientes. Para conseguir isso, o governo anunciou nesta semana que doará US$ 190 milhões em pesquisas nos próximos seis anos.

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Técnicas de edição genética como o CRISPR têm radicalmente alterado o campo de pesquisa biomédica, dando a cientistas a possibilidade de tratar doenças simplesmente editando-as para fora do corpo de uma pessoa. No entanto, ainda existem diversos obstáculos para transferir a pesquisa do laboratório para a clínica.

Um artigo recente, por exemplo, sugere que o CRISPR pode ativar o sistema imunológico de muitas pessoas, o que poderia tornar os tratamentos clínicos com a técnica ineficientes ou até mesmo perigosos. E, para tratar muitas doenças, melhores técnicas devem ser desenvolvidas para aplicar de forma eficiente o CRISPR no local correto do corpo. E ainda existem muitos fatores desconhecidos que cercam a segurança da técnica e potenciais alvos não programados que ela pode atingir durante o tratamento.

O Somatic Cell Genome Editing, do National Institutes of Health (NIH, ou Institutos Nacionais de Saúde, em tradução livre) distribuirá financiamentos pelos próximos seis anos para pesquisadores buscando soluções para problemas que ajudarão a acelerar outras pesquisas no campo, como desenvolver mecanismos mais eficientes ou melhores métodos de edição genética (a agência apenas financiará pesquisas para células somáticas humanas, as células não reprodutivas do corpo, o que significa nada de bebês projetados).

“O foco do programa Somatic Cell Genome Editing é acelerar exponencialmente a tradução dessas técnicas para as clínicas para o tratamento do maior número de doenças genéticas possível”, disse Francis Collins, diretor do NIH, em um comunicado.

Mas existe um pequeno grande problema: a agência têm recursos o suficiente para lançar o programa neste ano, mas mudanças no orçamento anual podem afetar o financiamento do programa no futuro.

De qualquer maneira, este é um grande sinal de que os EUA estão colocando muita fé (e dinheiro) na edição genética para solucionar doenças no futuro.

Imagem de topo: Caroline Davis2010/Flickr