Há algumas formas de negócios baseados em criptomoedas chamarem atenção das autoridades. Uma startup chamada Arisebank parece que quis usar todas elas de uma só vez.

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A startup Arisebank — um “banco descentralizado” — estava no meio de um processo de arrecadação por meio de uma ICO (oferta inicial de moeda), em que a companhia disse que já tinha gerado US$ 600 milhões. A SEC (Comissão de Títulos e Câmbios dos EUA) determinou a interrupção da oferta de moedas por meio de uma ordem judicial — os documentos foram registrados na última quinta-feira, mas só foram revelados nesta segunda (29), de acordo com a CNBC.

Embora essas ofertas de ICO tenham sido banidas da China, elas ainda são permitidas nos Estados Unidos. No entanto, cada componente da arrecadação organizada pela Arisebank parecia ter sido feito para irritar ou chamar atenção da SEC, que pegou bem pesado com a startup, chamando todo o processo de um “golpe”. Em resumo, os problemas do empreendimento, segundo o órgão:

• Vender um investimento não registrado (AriseCoin)
• Usar celebridades para endossar e promover uma ICO (no caso, a lenda do boxe Evander Holyfield)
• Supostamente ter falhado em divulgar “a ficha criminal de executivos chave da empresa”
• Ter dito que comprou um banco de 100 anos que permitiria à companhia a cobrir seus clientes sob proteção de depósito federal (o que a companhia posteriormente negou ao chamar o seguro do FDIC [órgão de proteção de crédito dos EUA] de “totalmente desnecessário”)
• Autoproclamar-se um “banco” — o que o Departamento Bancário do Texas não gostou muito.

Deturpar seu status junto ao FDIC é uma baita babaquice: essas proteções essenciais foram estabelecidas para manter a fé pública dos bancos após a Grande Depressão. E, além disso, o site da Arisebank, que já foi tirado do ar, contava com um monte de promessas, fingindo ser um banco. Eles ofereciam, por exemplo, uma plataforma sem taxas, operação de caixa eletrônico e uma conta em parceria com a Visa.

A SEC congelou os bens da Arisebank e dos seus fundadores — inclusive os feitos em modelas virtuais, como Bitcoin, Litecoin, Bitshares, Dogecoin e BitUSD — e está buscando a “interdição permanente e destituição de ganhos mal adquiridos e penalidades, além de proibir os fundadores de terem uma empresa pública ou servir títulos digitais novamente no futuro”.

Espere mais cartas como esta do órgão de regulação dos Estados Unidos.