EUA dizem que só vão flexibilizar licenças para a Huawei por período limitado

Os últimos meses têm sido difíceis para a Huawei, mas a partir de agora, parece que a gigante de tecnologia chinesa vai ter um descanso em meio às tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Durante um pronunciamento em Washington D.C., na terça-feira (9), o secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, esclareceu que embora a Huawei permaneça na Lista de Entidades, seu departamento vai expedir licenças comerciais para empresas desde que “não haja uma ameaça à segurança nacional dos EUA”.

Segue uma rápida recapitulação dessa confusão toda. Em maio, a administração de Trump adicionou a Huawei e 68 de suas afiliadas à Lista de Entidades do Departamento de Comércio – que inclui basicamente qualquer organização, indivíduo, ou empresa que exija uma licença para que companhias norte-americanas possam fazer negócios com eles – alegando que elas representavam um perigo à segurança nacional. Na verdade, essa medida foi uma forma de banir a Huawei uma vez que as empresas norte-americanas precisariam de uma aprovação do governo para fazer negócios com ela. Isso resultou em gigantes de tecnologia, como Google, Intel e Qualcomm afirmando que não forneceriam mais seus produtos à Huawei – embora algumas tenham descoberto formas de como contornar a proibição.

Vamos avançar agora para a reunião do G20 em junho, quando o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping concordaram em flexibilizar novas tarifas. Na época, Trump, aparentemente do nada, disse que empresas norte-americanas poderiam vender componentes de software e hardware à Huawei. Para tornar tudo ainda mais confuso, na semana passada, agentes norte-americanos foram informados de que, apesar das declarações do presidente, a Huawei permanecia banida.

Mas, de acordo com os esclarecimentos fornecidos pelo secretário Ross, nós agora sabemos que a Huawei ainda está na Lista de Entidades – a questão é que o Departamento de Comércio vai flexibilizar a emissão de licenças. Ross ainda acrescentou que o departamento faria de tudo para garantir que, ao aliviar as restrições, a receita não saia apenas dos EUA para empresas estrangeiras. Ele também afirmou que “o pronunciamento não altera o escopo de itens que requerem licenças do Departamento de Comércio, nem a possibilidade de serem negadas”. Segundo a Reuters, Larry Kudlow, diretor do conselho econômico nacional dos Estados Unidos, declarou em um evento separado na terça-feira (9) que a flexibilização das restrições seria apenas por um período limitado.

Então, embora ambas declarações tenham esclarecido um pouco como a administração de Trump planeja lidar com as contradições do presidente, elas frustrantemente levantaram novas questões. Ainda não está claro qual tecnologia representa – ou não – uma ameaça à segurança nacional. Também não se sabe exatamente quanto tempo essa flexibilização de restrições vai durar. Kudlow, de fato, esclareceu à Reuters que o governo norte-americano não comprará partes, sistemas ou componentes da Huawei – incluindo aqueles para a rede 5G.

Não há dúvidas que isso representa um certo alívio para a Huawei, mas isso não significa o fim das brigas comerciais. Os Estados Unidos continuam a importunar outros países, como a Alemanha, a não utilizarem a tecnologia 5G da Huawei. (Para os EUA, a administração de Trump está considerando exigir que todos os equipamentos 5G sejam fabricados fora da China.) Além disso, a Licença Geral de 90 dias expedida pelo Departamento de Comércio quando o banimento foi implementado vai expirar em 19 de agosto. O objetivo da Licença era oferecer às empresas um prazo para encontrarem novos fornecedores, mas ainda não se sabe se ela será estendida.

Este post foi modificado em 11 de julho de 2019 9:28

Victoria Song

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Victoria Song
Tags: China EUA guerra comercial Huawei Trump

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