A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tem regras rigorosas para quem faz ações de telemarketing robotizadas. E, recentemente, houve um crescimento considerável no país de reclamações quanto a esse tipo de chamada. Na terça-feira (5), o órgão anunciou que vai processar alguns dos responsáveis por supostamente facilitarem bilhões de chamadas indesejadas.

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O órgão de defesa do consumidor registrou uma queixa formal na corte federal contra pessoas por trás de companhias que supostamente facilitaram ou permitiram “chamadas robotizadas ilegais, fizeram chamadas para telefones que constavam em uma lista de remoção desses serviços (parecida com a que alguns Procons têm pelo Brasil), fizeram ligações com identificação escondida ou falsa e chamadas abandonadas, nas quais a linha é desligada quando a pessoa atende”.

A complexidade da operação mostra que várias pessoas vão continuar nesse negócio que incomoda todo mundo, e, se ainda ocorre, é porque ainda é uma operação rentável. Segundo a reclamação do órgão, James Christiano controla a companhia TelWeb, uma plataforma de chamadas automatizadas. Dois outros homens, Aaron Michael Jones e Andrew Salisbury, supostamente cuidaram da conexão de serviços de telemarketing com o sistema da TelWeb.

Entre as empresas de Christiano estão a TeraMESH Networks, que alugou espaços de servidor para Jones. De 2013 a 2016, o único cliente da NetDotSolution foi a Dial Soft Technologies, uma empresa de fachada criada por Jones. Há outras empresas de fechada envolvidas nesse esquema para espalhar o máximo possível a responsabilidade pelas chamadas robotizadas. Notavelmente, Jones e um outro homem, Justin Ramsey, já foram processados pela FTC, mas eles, aparentemente, não encerraram as atividades.

De acordo com a FTC, a TelWeb facilitou cerca de um bilhão de chamadas robotizadas ilegais por ano. Um levantamento recente concluiu que os americanos receberam 30,5 bilhões de chamadas robotizadas em 2017 — entre 40% e 50% delas são ilegais. Lógico, fazer chamadas automáticas é legítimo para certas situações, como cobrança de débito, campanhas politicas nos EUA e por fins de caridade. Então, tentar acabar com uma rede que faz um bilhão de chamadas é algo grande. Infelizmente, o número de chamadas em 2017 aumentou em 19% nos EUA comparado com o período anterior, além disso, dobrou a quantidade de ligações desde 2015.

A iniciativa da FTC é louvável, ainda mais se conseguir, de fato, evitar esse número gigantesco de chamadas. E se o FCC, órgão responsável pela telecomunicação nos EUA, acabar com a neutralidade de rede de vez, a FTC será a única agência do governo para assegurar que empresas de telecomunicações não abusem dos consumidores.

[FTC]

Foto do topo AP