Os EUA negaram à Intel uma licença para exportar dezenas de milhares de processadores Xeon Phi para a China, para atualizar o supercomputador Tianhe-2. O motivo? Eles temem que a tecnologia seja usada para fins nucleares.

Pelos últimos 18 meses, o Tianhe-2 mantém o título de máquina de computação mais poderosa do mundo. Ele atualmente usa 80.000 processadores Xeon para gerar mais de 33 petaflops de capacidade computacional (um petaflop equivale aproximadamente a um quatrilhão de cálculos por segundo).

Este ano, o supercomputador passaria por uma série de atualizações para que seu poder de processamento chegasse a 110 petaflops.

Medos nucleares

Só que isso deixou o governo americano com medo, segundo a BBC. O Departamento de Comércio americano diz que a máquina pode ser usada para “atividades de explosivos nucleares”. Um documento oficial diz que esse termo pode indicar qualquer tecnologia utilizada na “concepção, desenvolvimento ou fabricação” de armas nucleares.

Não está claro se o governo americano tem qualquer prova tangível de que o supercomputador está sendo usado para propósitos maliciosos. Para a Intel, só resta obedecer as ordens e perder a oportunidade de venda.

Felizmente para a fabricante de chips, ela foi recentemente contratada para construir o supercomputador Aurora, no Argonne National Laboratory, que terá 180 petaflops. Ele ficará, é claro, nos EUA.

Enquanto isso, acredita-se que a China está acelerando um projeto para desenvolver processadores no país, em vez de depender de empresas estrangeiras, para atualizar seus quatro principais supercomputadores.

China

Há motivos para os EUA terem medo de sua superpotência rival. Este ano, a China admitiu pela primeira vez que tem equipes de armas digitais “tanto em áreas militares como civis do governo”.

Em março, a China usou ataques DDoS contra dois projetos no GitHub que ajudavam chineses a acessar conteúdo bloqueado pelo governo. Descobriu-se que o país usa um “Grande Canhão”, que injeta código malicioso em determinados sites para atacar outros serviços.

Parece que a corrida armamentista está acontecendo nos supercomputadores, não exatamente em armas nucleares – apesar de essa ser a desculpa dos EUA. Que loucura. [BBC Technology]

Imagem: o supercomputador Tianhe-2. Department for Business, Innovation and Skills/Flickr