Atualização: Documentos registrados pelo Departamento de Comércio dos EUA mostram que a Huawei deve receber uma prorrogação de mais 90 dias para continuar fazendo negócios com empresas americanas, período bem superior ao especulado anteriormente. Você pode ler abaixo o texto publicado originalmente.

A Huawei deve conseguir mais duas semanas para continuar trabalhando com determinadas empresas dos EUA. Fontes ligadas ao assunto disseram à Reuters que, na segunda-feira (18), o Pentágono emitirá uma publicação estendendo a licença geral temporária da companhia, embora esta seja menor que os 90 dias obtidos em agosto. Esta nova licença permitirá que a Huawei cumpra contratos antes de haver o banimento de exportação dos EUA.

Uma extensão maior aparentemente está no horizonte, mas, por enquanto, permanece no purgatório, segundo a reportagem da Reuters. No fundo, tudo isso é bom para a Huawei, pois parece que a companhia não sofreu tanto durante o período. Embora especuladores previamente tivessem predito que o banimento poderia afetar muito o crescimento da empresa, no mês passado a Huawei reportou um crescimento de receita de 24,4% nos últimos três trimestres do ano fiscal. Esta notícia parecia corroborar as alegações da companhia de que as sanções não afetariam seus negócios.

Tudo isso, sem dúvida, frustrou completamente as autoridades federais. Em maio, o Departamento de Comércio dos EUA adicionou a Huawei e 68 de suas afiliadas à chamada “lista de entidades” em meio a preocupações de segurança nacional em relação à percepção de estreita relação da empresa com Pequim e o exército da Libertação Popular.

Do lado da Huawei, a empresa nega essas alegações. Dada a crescente guerra comercial entre a China e os EUA, a companhia se defendeu das alegações do governo — e outras acusações relativas a supostos roubos e fraudes comerciais — dizendo que tudo isso é uma campanha de difamação destinada a prejudicar o principal fornecedor mundial de equipamentos de telecomunicações.

A lista de restrições do governo proíbe todas as vendas de tecnologia entre as empresas americanas e a Huawei, embora tenha sido feita uma exceção nos contratos existentes para reduzir possíveis interrupções para seus clientes, uma parte significativa dos quais opera em comunidades rurais americanas dependentes de suas redes 3G e 4G.

Independentemente dessa nova extensão, algumas dessas mesmas comunidades poderão em breve se despedir totalmente dessas redes. De acordo com um recente relatório do Wall Street Journal, a FCC (Federal Communications Commission) votará esta semana uma proposta para designar a Huawei e a ZTE (outra gigante chinesa) como ameaças à segurança nacional, interrompendo qualquer esforço dessas empresas para expandir sua infraestrutura existente. Outra medida que a FCC está atualmente considerando forçaria as empresas americanas a substituir qualquer equipamento da Huawei e ZTE já instalado.

A Huawei não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do Gizmodo, e um porta-voz disse à Reuters que a empresa não comenta essa especulação.

[Reuters]