O Departamento de Comércio dos EUA colocou 33 empresas chinesas — muitas das quais desenvolvem tecnologias de inteligência artificial e reconhecimento facial — em sua lista econômica de proibições. A medida é uma punição por conspirar supostamente com Pequim e a brutal repressão do governo a minorias muçulmanas.

A chamada “lista de entidades” do Departamento proíbe as empresas incluídas de usarem tecnologia fabricada nos EUA em seus dispositivos. Estabelecida por ordem executiva em maio passado, esta é a mesma lista que inclui a Huawei, a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, além de 68 afiliadas acusadas de atuar a mando de agências de espionagem chinesas.

De acordo com uma reportagem da Reuters publicada na sexta-feira (22), sete empresas e duas instituições foram citadas em um comunicado do Departamento do Comércio como “cúmplices de violações e abusos dos direitos humanos cometidos na campanha chinesa de repressão, detenção arbitrária em massa, trabalho forçado e vigilância de alta tecnologia contra os uigures”. A agência disse que as outras duas dúzias de organizações foram listadas por fornecer suprimentos para as forças armadas chinesas.

Uma das empresas colocadas na lista é a CloudMinds, uma startup especializada em sistemas baseados em nuvem para robôs. A companhia é a criadora do sorridente robô humanoide Pepper. No ano passado, a Reuters informou que a empresam que contou com financiamento do SoftBank, foi impedida de transferir tecnologia e informações técnicas entre seus escritórios nos EUA e Pequim até obter as licenças apropriadas.

Outra empresa citada foi a NetPosa, um dos maiores nomes da China em IA. Descobriu-se que sua subsidiária SenseNet estava conduzindo extensas e invasivas medidas de vigilância no ano passado em Xinjiang, uma região remota onde grande parte da população é muçulmana, presumivelmente a mando do governo chinês.

A decisão veio depois de novas medidas da China para aumentar o rigor do seu domínio sobre Hong Kong com novas leis de segurança nacional e anti-sedição. No início deste mês, o presidente Donald Trump expandiu as sanções comerciais punitivas contra a Huawei, pressionando as relações EUA-China em meio a uma disputa contínua com a gigante da tecnologia chinesa.