O órgão regulador do trânsito dos Estados Unidos quer limitar o que as pessoas podem fazer com o smartphone enquanto estiverem atrás de um volante. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) – órgão equivalente ao CONTRAN – publicou sua primeira diretriz de segurança sobre distração de motoristas e tem como alvo os dispositivos portáteis e outros aparelhos conectados ao carro.

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As diretrizes, que são parte da segunda fase da propostas da NHTSA, seguem as recomendações estabelecidas para sistemas de entretenimento informativo (o console dos veículos atuais), que foram publicadas em 2013. Naquele ano, as diretrizes da NHTSA apontavam um limite no número de interações necessárias para completar uma ação – como apertar um botão de “favorito” em vez de discar um número de telefone inteiro.

Com essa segunda fase, a NHTSA quer limitar como o celular será usado atrás do volante. É assim que o pessoal do SlashGear descreve o plano:

No ponto central das diretrizes está o conceito de parear o smartphone ou outro dispositivo com o carro, e a permissão de um conjunto de aplicativos e funções que poderiam rodar e são consideradas seguros para se interagir em movimento. Batizado de “Modo de Direção” pela NHTSA, ele se baseia em iniciativas como o CarPlay e Androd Auto com uma seleção de tarefas que são disponibilizadas numa interface mais direta. Os motoristas poderiam ver mapas que seriam espelhados por meio do celular, pequenos trechos de texto que acredita-se que possam ser lidos com uma rápida olhada e realizarem comandos de voz.

Porém há mais do que isso. Além de mostrar mapas e pequenos trechos de texto, o sistema da NHTSA iria prevenir que certas funcionalidades do celular funcionassem enquanto o aparelho está conectado ao carro.

Por exemplo, você não poderia reproduzir um vídeo, exibir “determinadas imagens gráficas ou fotográficas”, rolar por grandes quantidades de texto ou inserir texto manualmente. As propostas do órgão dizem que o método preferido de forçar o Modo de Direção seria por meio de uma ativação automática. O seu celular entraria automaticamente neste modo depois de ser conectado ao carro e que estivesse claro que o veículo está em movimento a uma determinada velocidade.

O problema para a NHTSA é que essas são apenas diretrizes. Elas são voluntárias (o que significa que as fabricantes podem simplesmente ignorar a implementação de um modo de direção especial). E além disso, se os termos parecerem pesados demais, os usuários poderiam optar simplesmente por não conectarem seus celulares. Como o SlashGear aponta, já existem problemas com sistemas como o CarPlay e Android Auto e a relação com aplicativos de terceiros. Não é possível utilizar o Google Maps com o CarPlay, por exemplo, o que faz com que muitos usuários apenas coloquem o aparelho num suporte e utilizem o serviço que preferem.

Todos sabemos que a distração durante a condução é perigosa. E chega a ser mais seguro dar uma viajada nos pensamentos enquanto se dirige do que mandar mensagens de texto. Então é importante que órgãos reguladores apontem e trabalhem sobre esses problemas, especialmente na era dos smartphones. Ainda assim, é meio doido sugerir que não se pode digitar no celular conectado a um carro e esperar que motoristas utilizem voluntariamente esses sistemas.

[NHTSA via SlashGear]

Imagem: AP.