Os Estados Unidos agora lideram o número de casos confirmados de infecções de COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O New York Times apontou em uma reportagem que mais de 80.000 pessoas no país testaram positivo para o vírus, eclipsando o número de diagnósticos da China e Itália, que vinham sendo os principais focos da doença. Dados mantidos pelo mapa da Universidade Johns Hopkins mostra que o número de casos nos EUA excede 85.000, no momento desta publicação.



Há alguns dias, Donald Trump, presidente dos EUA, disse que queria “abrir o país” até a Páscoa e relaxar as medidas de quarentena. No entanto, o número total de mortes por coronavírus vem dobrando a cada 3 dias no país, como mostra um gráfico do NYT. Para efeitos de comparação, o material mostra que a Itália vem dobrando o número de mortes a cada 5 dias, enquanto a China tem conseguido diminuir estabilizar a curva de mortes.

Trump chegou a dizer, durante a sua campanha de reeleição, que o novo coronavírus era a “nova mentira” dos democratas. Recentemente, sua equipe enviou uma carta para emissoras de TV pedindo a para não veicularem um anúncio que continha esse trecho de seu discurso, alegando que o material faz parecer que ele sugeria que o COVID-19 era uma farsa, quando ele queria dizer que o “suposto desleixo pela gravidade da crise” era uma farsa.

A postura não é muito diferente daquela tomada por algumas autoridades no Brasil, que já registra 2.915 casos confirmados e 77 óbitos, segundo o Ministério da Saúde – taxa de letalidade de 2,6% neste momento. O presidente Jair Bolsonaro insinuou em um pronunciamento que o COVID-19 é uma “gripezinha” e tem pressionado governadores e prefeitos a relaxarem as medidas de quarentena e distanciamento social – essenciais para achatar a curva da propagação da doença e não colapsar o sistema de saúde.

Trump ainda não enviou pedidos para impor a Lei de Produção da Defesa, um dispositivo legal utilizado em tempos de guerra e que daria ao governo mais poder sobre a fabricação e o fornecimento de equipamentos médicos críticos como respiradores. Há relatos de faltas de equipamentos nos hospitais dos EUA.

Ele enviou uma carta aos governadores nesta quinta-feira (26) dizendo que seu governo planejava relaxar as diretrizes federais sobre distanciamento social, muito antes do que os especialistas em saúde aconselham.

No início desta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou aos líderes do G20 que as infecções se aceleravam a uma velocidade vertiginosa:

O mundo levou três meses para atingir 100.000 casos confirmados de infecção. Os próximos 100.000 aconteceram em apenas 12 dias. Mais 100.000 surgiram em 4 dias. A quarta centena de milhar, apenas um dia e meio. É um crescimento exponencial e apenas a ponta do iceberg.

Tanto o New York Times quanto a Universidade Johns Hopkins registraram aproximadamente 1.300 mortes nos Estados Unidos, cerca de um terço do total registrado na China, onde aparentemente a maioria das pessoas havia sido infectada pelo menos durante um mês antes de morrer.