Um novo estudo analisando formações rochosas de 107 mil a 91 mil anos atrás revelou algo perturbador: uma reversão estranhamente rápida do campo magnético da Terra há relativamente pouco tempo.

A equipe de pesquisadores de China, Taiwan e Austrália analisou uma estalagmite, rocha que cresce lentamente do chão das cavernas, para ter um melhor entendimento do campo magnético da Terra. Em fragmentos de ferro da rocha, eles encontraram evidências de uma mudança que aconteceu em um intervalo curto de tempo: menos de 200 anos.

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Não está claro o que aconteceria com a humanidade se o campo magnético fosse revertido novamente em uma escala de tempo tão curta. Os cientistas por trás do novo artigo temem que poderia ser bem ruim.

“Se mudanças de polaridade tão rápidas ocorressem no futuro, elas poderiam afetar severamente os satélites e a sociedade humana”, escreveram no artigo publicado nesta semana na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Se o campo magnético da Terra te deixa confuso, não se preocupe. Isso também acontece com muitos cientistas. Parece que ele existe há pelo menos 3,45 bilhões de anos, sendo provavelmente gerado por meio do movimento no núcleo externo da Terra.

Os polos norte e sul parecem ter se revertido há cerca de 773 mil anos, e, provavelmente, uma dúzia de excursões — como são chamadas as rápidas mudanças nos ângulos de orientação dos polos –ocorreram desde então, de acordo com o estudo.

Naturalmente, as pessoas se preocupam com a mudança dos polos por causa dos efeitos protetores do campo magnético. Ele nos defende de ventos solares, que podem prejudicar tanto a vida no planeta quanto nossos eletrônicos.

Nesse estudo mais recente, cientistas analisaram uma estalagmite chamada SX11, tirada da caverna chinesa de Sanxing. Ela tem um metro de comprimento e oito centímetros de espessura. Sua aparência é a de uma vela amarela e marrom.

A equipe cortou 194 fatias dela, datou os pedaços e mediu a orientação do campo magnético dos fragmentos restantes de ferro que foram capturados na rocha.

A análise da equipe revelou evidências de mudanças rápidas no polo magnético, incluindo uma reversão que começou cerca de 98.360 anos atrás e que levou apenas 144 anos para acontecer — ou seja, num prazo 30 vezes mais rápido do que se imaginava.

“Isso é incrivelmente rápido”, disse Mika McKinnon, geofísica (e ex-escritora do Gizmodo) que não esteve envolvida no estudo, em entrevista. Do ponto de vista científico, ela ficou animada com os resultados. “Pesquisadores têm usado espeleotemas [depósitos de cavernas como estalagmites] para reconstruir reversões de campo magnético desde antes de eu nascer, mas ainda é uma técnica rara de se encontrar, e eu sempre fico encantada.”

Ela apontou que fatores como o calor podem causar a desmagnetização dos núcleos, e os pesquisadores minimizaram evidências anteriores de reversões rápidas de polos. “O tempo dirá se os pesquisadores poderão fazer o mesmo com esses dados também.”

Os autores por trás do novo artigo pedem uma melhoria nos estudos das mudanças anteriores no campo magnético, a fim de entender melhor o potencial para uma reversão.

Você deveria se preocupar com isso? Bom, o fato de os campos magnéticos poderem se inverter não significa que eles vão fazê-lo em breve, como já escrevemos anteriormente.

Também não está completamente claro o que aconteceria durante uma dessas reversões de polo, disse McKinnon. “Sabemos que o campo magnético se enfraquece à medida que ele transita, caindo para apenas 5% ou menos de sua força comum. Alguns cientistas acham que ele colapsa completamente.”

Mas talvez o vento solar em si pudesse regenerar o campo. Talvez vá prejudicar nossa tecnologia, mas não nós — não existe evidência firme ligando essas reversões de campo a extinções em massa, por exemplo.

Portanto, provavelmente não é algo sobre o qual vale a pena se preocupar. McKinnon afirmou: “Vou permanecer com a interpretação otimista de que viver durante um período de reversão rápida de campo magnético seria um período de caos glorioso, mas não mortal”.

[PNAS]

Imagem do topo: NASA (Air Force)