A diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, tem muito mais chances de ser presa nos EUA após sua estratégia legal para evitar a extradição no Canadá sofrer um duro golpe.

Meng enfrenta múltiplas acusações nos EUA, onde procuradores a consideram como a mentora de uma trama complicada para escapar das sanções impostas ao Irã, fraudando instituições financeiras nesse processo.

No entanto, as autoridades americanas precisam de sua extradição do Canadá, onde foi detida em 2018 e mantida em prisão domiciliar. A defesa de Meng alegava que a tentativa de extradição não cumpria os padrões legais canadenses de “dupla criminalização” – que exige que procuradores demonstrem que as supostas ações seriam um crime tanto nos EUA quanto no Canadá.

A estratégia sofreu um golpe nesta quarta-feira (27), graças a uma decisão da juíza Heather Holmes, presidente da Suprema Corte da Colúmbia Britânica, conforme mostra uma reportagem da CNN. Os advogados de Meng haviam argumentado que os promotores não haviam cumprido o padrão de dupla criminalização, pois as sanções são da lei americana, não canadense. Porém, Holmes descobriu que a suposta fraude bancária constituiria de fato um crime no Canadá.

A defesa de Meng “daria à fraude um âmbito artificialmente restrito no contexto da extradição”, escreveu Holmes na sentença, segundo a CNN.

Além das acusações de fraude bancária relacionadas aos supostos esforços de Meng para enganar as instituições financeiras sobre o relacionamento de Huawei com empresas subsidiárias que faziam negócios com o Irã, a denúncia a acusa de roubo e obstrução ao comércio, destruindo provas relacionadas ao caso.

A Huawei, maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, enfrenta alegações de que poderia estar espionando em favor dos serviços de segurança chineses, roubando segredos comerciais e ignorando sanções comerciais dos EUA.

Detalhes sobre supostos backdoors incorporados aos equipamentos de telecomunicações da Huawei não foram divulgados publicamente e há suspeitas de que a cruzada dos EUA contra a empresa é parcialmente motivada pelo desejo da administração Trump de mantê-la refém durante a guerra comercial em curso entre os EUA e a China.

A empresa está enfrentando uma série crescente de sanções, incluindo a colocação em listas restritivas do Departamento de Comércio. Meng é a filha do fundador e CEO da empresa, Ren Zhengfei.

A imprensa estatal chinesa Global Times advertiu que uma decisão contra Meng na quarta-feira, que “satisfizesse a administração Trump” resultaria em “ressentimento”. O ex-embaixador canadense na China, Guy Saint-Jacques, disse ao New York Times que era provável que as relações entre o Canadá e a China piorassem, com “ambos os lados endurecendo suas posições num momento em que os países já estão questionando o papel da China na pandemia.”

O Departamento de Justiça canadense disse em declaração à CNN que outra audiência “determinará se a conduta alegada fornece ou não prova suficiente da ofensa à fraude para atender ao teste de compromisso sob a Lei de Extradição.”

“Um juiz independente determinará se esse teste será cumprido”, acrescentou a agência. “Isto diz respeito à independência do processo de extradição do Canadá.”