Uma coisa estranha está acontecendo nos oceanos. Enquanto recifes de coral secam e pescas entram em colapso, polvos estão se multiplicando loucamente. Assim que eles percebem fraquezas, eles reúnem um exército e invadem a terra também.

Ok, a última coisa é provavelmente só paranoia. Mas é preocupante que cefalópodos – lulas, polvos – estejam crescendo tanto, e cientistas não têm uma explicação para isso. Uma análise publicada no Current Biology indica que diversas espécies ao redor dos oceanos do mundo cresceram em número desde a década de 1950.

“A consistência foi a grande surpresa,” disse a autora do artigo Zoë Doubleday, da Universidade de Adelaide. “Cefalópodes são conhecidos por sua variabilidade, e a abundância populacional pode variar bastante, tanto dentro como entre as espécies.”

Foi uma grande variação que inspirou o novo estudo. Há alguns anos, a sépia-gigante-australiana (na imagem que abre o post), teve uma queda brusca e súbita na sua população. “Elas quase sumiram completamente,” disse Doubleday ao Gizmodo, adicionando que um dos co-autores do estudo teve a ideia de observar ciclos de expansão entre outras populações de cefalópodes para ver se encontrava algum padrão. “Não sabíamos quanto de dados podíamos coletar, mas conseguimos juntar bastante coisa,” disse Doubleday.

Reunindo dados de pesca e pesquisas científicas anteriores, os pesquisadores montaram uma série história com informações de 35 espécies ou gêneros de cefalópodes, contando com todas as grandes regiões oceânicas de 1953 a 2013. Houve variabilidade anual significativa, e uma pequena quantidade de espécies teve um decréscimo, mas no geral a maioria das populações de cefalópodes em muitas partes dos oceanos diminuíram em números. (A sépia-gigante-australiana já começou a recuperar a população perdida).

Então o que faz os cefalópodes crescerem em população enquanto a maioria das outras criaturas do oceano está morrendo? Doubleday e seus colegas estão investigando, mas suspeitam que tenha relação com as rápidas taxas de rotatividade da população. “Cefalópodes tendem a crescer e diminuir – eles são chamados de ervas daninhas do mar,” disse Doubleday. “Se as condições ambientais forem boas, eles conseguem explorar rapidamente essas condições porque crescem rapidamente.”

Uma explicação de que as condições ambientais melhoraram para eles é que humanos estão caçando os principais concorrentes dos cefalópodes – os peixes predadores. Outras mudanças em grande escala como o aquecimento global também podem ter influência. “Não acho que seja um único motivo,” disse Doubleday. “Mas alguma coisa está mudando em grande escala e dando vantagem para os cefalópodes.”

Conforme o oceano continua a mudar, o destino a longo prazo de todos os organismos marinhos permanece incerto. Por exemplo, evidências de laboratório sugerem que a acidificação do oceano pode prejudicar o desenvolvimento de alguns cefalópodes. E se lulas e polvos se tornarem parte grande na dieta humana, vamos pescar mais cefalópodes do mar do que fizemos até hoje.

Outra possibilidade estranha é que os cefalópodes fiquem tão comuns que ficam sem comida. O que acontece? “Eles são altamente canibais – podem começar a comer uns aos outros se precisar,” disse Doubleday.

Em resumo, é cedo para dizer se polvos vão continuar crescendo em número ou se os oceanos vão fazer eles entrarem em uma era de canibalismo. Ainda assim, se uma raça inteligente de seres submarinos com tentáculos surgirem e der um jeito de conquistar o mundo, não podemos dizer que não vimos os sinais de alerta.

Foto de topo: Sépia-gigante-australiana via Wildlife Photographer Scott Portelli