O primeiro ano da pandemia da Covid-19 reduziu a expectativa de vida de quem mora nos Estados Unidos. Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relataram esta semana que a expectativa de vida ao nascer caiu 1,5 anos de 2019 a 2020, com a maior parte do declínio atribuído à pandemia. As populações negras e hispânicas-americanas sofreram um impacto ainda maior.

A expectativa de vida ao nascer é uma estimativa de quanto tempo espera-se que uma pessoa nascida nesse ano específico viva. Ela é calculada observando as tendências atuais das taxas de mortalidade em diferentes idades, tornando-se um parâmetro confiável para a saúde geral de um país.

As coisas já não eram boas para os EUA nesse aspecto, mesmo antes da pandemia. Entre 2015 e 2018, o país experimentou um declínio anual na expectativa de vida, com a queda liderada por tendências crescentes em mortes evitáveis ​​por overdose de drogas e outras causas importantes que afetam predominantemente adultos jovens e americanos de meia-idade. O país viu um aumento em 2019, mas outros países continuaram a experimentar ganhos na expectativa de vida o tempo todo. Outra pesquisa sugeriu que os Estados Unidos têm apresentado um valor atípico na expectativa de vida por décadas, com o pior desempenho desde a década de 1990.

Quaisquer que sejam as melhorias ocorridas em 2019, elas agora foram eliminadas pela pandemia. Em seu último relatório de vigilância, com base em dados de mortalidade “quase finais”, pesquisadores do National Center for Health Statistics calcularam que a expectativa de vida em 2020 era de 77,3 anos. Isso representa uma queda de 1,5 ano em relação a 2019, que era de 78,8 anos — esse foi o menor número desde 2003. É também a maior queda anual desde 1942-1943, durante a Segunda Guerra Mundial, que teve uma queda de 2,9 anos, de acordo com a NPR.

“A mortalidade devido a Covid-19 teve, de longe, o maior efeito isolado no declínio da expectativa de vida ao nascer entre 2019 e 2020”, escreveram os autores. Em 2020, a doença viral foi a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos, matando menos mais de 345 mil pessoas no país. Em julho de 2021, o número oficial de mortes causadas pelo coronavírus nos EUA era de cerca de 606 mil.

Esse efeito não foi sentido de maneira uniforme entre todos os americanos. Enquanto cerca de 74% do declínio geral na expectativa de vida foi atribuído à pandemia, a porcentagem foi ainda maior (90%) para os hispânicos, que também viram queda mais acentuada na expectativa de vida entre qualquer grupo racial e étnico, de 81,8 para 78,8 anos. Os negros já tinham a menor expectativa de vida entre esses grupos, de 74,7 anos em 2019, mas apresentaram uma queda para 71,8 anos em 2020. Cerca de 60% desse declínio foi atribuído à pandemia.

Nem toda a queda adicional na expectativa de vida veio diretamente da pandemia. No ano passado, também houve mais de 93 mil mortes ligadas a overdoses de drogas — o maior número anual de mortes, responsável pela maior parte das mortes atribuídas a lesões não intencionais. Mas uma parte dessas mortes por overdose foi alimentada pelos efeitos da pandemia na sociedade e no emprego. Por outro lado, a pandemia pode ter tido um efeito moderador sobre outras causas de mortes, como câncer e doenças cardíacas.

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Embora a rápida implantação das vacinas contra Covid-19 tenha evitado muitas mortes de americanos em 2021, a pandemia certamente ainda terá um impacto devastador na expectativa de vida este ano. Estima-se que o vírus seja a terceira causa de morte em dois anos consecutivos, com mais de 250 mil americanos morrendo em 2021, já que, apesar da vacina, centenas de pessoas continuam morrendo diariamente.