Para a maioria dos estudantes de história, “explorar o passado” significa vasculhar montanhas de dados. Mas o arqueólogo digital Marcus Abbott quer que os primórdios da civilização humana sejam facilmente acessíveis para qualquer pessoa com interessa em explorá-la – ou, ao menos, uma simulação digital dos tempos antigos. Seu primeiro ambiente de realidade virtual pré-histórica? Um local espiritual nos pântanos da Ânglia Oriental.

Abbott é um arqueólogo profissional com base no Reino Unido, onde ele é especializado em levar tecnologia contemporânea para explorar as centenas de sítios arqueológicos do país. Em 2012, ele ajudou na descoberta de novas evidências sobre o Stonehenge usando varredura laser, que revelou desenhos anteriormente desconhecidos gravados sobre a superfície das famosas pedras do local. Como consultor da empresa britânica Arc Heritage, ele usa scanners 3D, LIDAR e modelagem 3D para descobrir novas informações sobre sítios que já foram bastante explorados – o mais recente deles foi Flag Fen, uma área religiosa da Idade do Bronze na Ânglia Oriental.

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Ele precisou de algumas centenas de horas para recriar o cenário e as instalações ao redor de Flag Fen, que foi povoada a milênios atrás por britânicos que deram algum significado espiritual misterioso ao local. Na época, a terra era mais alagadiça, no entanto, Abbott se baseou em dados de pesquisa paleo-ambientais para modelar uma simulação aproximada de como era a terra. Ele também adicionou casas redondas, plataformas de madeira, trilhas, cercas e outras estruturas, tudo isso trabalhado a partir de relatos arqueológicos para garantir a precisão histórica.

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Então quando poderemos acessar este mundo pré-histórico digitalizado? Este é o próximo desafio. Recentemente o arqueólogo iniciou uma campanha no Kickstarter – em busca de uma modesta quantia de £800 – e atingiu o objetivo no começo do mês. Agora, ele vai usar o dinheiro para transformar seu modelo 3G em algo que seja público, gratuito e facilmente acessível – a plataforma exata ainda precisa ser determinada. “Atualmente o mundo 3D reside em um disco rígido e está inacessível”, ele explicou ao Gizmodo via email. “Acredito que o próximo passo lógico é encontrar uma forma de tornar essa realidade virtual disponível publicamente e é esse o objetivo geral do projeto.”

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Atualmente, Abbott está criando um roteiro para guiar os exploradores virtuais por Flag Fen, mas os visitantes também poderão explorar os pântanos da maneira que desejarem. Ele também está conceituando outros detalhes do produto final, incluindo uma linha do tempo para ajudar usuários e escolherem entre diferentes épocas históricas. O som é outro problema. Ele pretende criar um som ambiente arqueologicamente preciso que adicionaria mais uma camada visceral ao ambiente.

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Se o projeto for bem sucedido, ele vai ser ramificado para outros lugares – e até mesmo permitir que viajemos entre eles para ver as disparidades entre os assentamentos. “Nós temos a arte conceitual para um projeto ao norte de Fenlands”, ele diz. “Se conseguirmos o financiamento para isso, podemos nos mover dos monumentos de madeira de Fens para um cenário onde esses monumentos sejam feitos de pedra, o que seria uma ótima mudança cultural.

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É fascinante imaginar a mudança cronológica através desses sítios pré-históricos – nada diz exatamente qual condomínio ou estacionamento ocupa esses cenários atualmente. Por enquanto, aprecie essas renderizações publicadas por Abbott, ou sobrevoe a sua criação por aqui. [Past Horizons Archaeology]