Publicar fotos da sua versão idosa é a febre do momento. O aplicativo que utiliza inteligência artificial para “envelhecer” as pessoas é o FaceApp e ele já existe há dois anos, mas voltou à popularidade recentemente. Esse fenômeno viral repentino acabou chamando atenção para uma questão importante que acompanha tudo o que esteja relacionado à tecnologia: privacidade.

Primeiramente, conforme observa o El País, os servidores do aplicativo estão na Rússia. Isso significa que eles estão fora da União Europeia, o que dificulta a aplicação da legislação sobre proteção de dados do bloco, a mais exigentes entre os principais países.

Além disso, parece que a ferramenta se aproveita da negligência da maioria dos usuários em relação aos termos e condições de uso, informando uma política de privacidade bem vaga. Segundo o The Next Web, o app não menciona o fato de processar fotos em seus servidores e não diz por quanto tempo elas são armazenadas.

Além disso, as condições de uso informam que os dados dos usuários poderão ser compartilhados com terceiros, mas não especifica como as empresas podem utilizar essas informações. Caso você não tenha checado os termos (o que é muito provável), o The Next Web lembra que vale a pena conferir o que você aceitou:

Você concede ao FaceApp uma licença sublicenciada, perpétua, irrevogável, não exclusiva, isenta de royalties, global, totalmente paga e transferível para usar, reproduzir, modificar, adaptar, publicar, traduzir, criar trabalhos derivados, distribuir, executar publicamente e exibir seu Conteúdo do Usuário e qualquer nome, nome de usuário ou informação do tipo fornecidos em conexão com o seu Conteúdo do Usuário em todos os formatos e canais de mídia agora conhecidos ou desenvolvidos posteriormente, sem compensação para você. Quando você publica ou compartilha o Conteúdo do Usuário em ou através de nossos Serviços, você entende que o seu Conteúdo do Usuário e quaisquer informações associadas (como seu [nome de usuário], localização ou foto de perfil) estarão visíveis para o público.

CEO do FaceApp responde

Após toda a repercussão do app, Yaroslav Goncharov, CEO do FaceApp, falou ao Guardian sobre sua criação. Ele diz que o aplicativo usa apenas a foto selecionada no processo, e não as fotos presentes na galeria do smartphone das pessoas. Além disso, ele disse que os dados não são transferidos para a Rússia, mas armazenados temporariamente em serviços norte-americanos fornecidos pela Amazon e o Google.

Aliás, Goncharov, ainda segundo o Guardian, afirma que a maioria das imagens são apagadas até dois dias após a edição — algumas são mantidas, de acordo com ele, por questão de tráfego: “queremos assegurar que o usuário não faça upload da foto repetidamente para cada operação de edição. A maioria das imagens é apagada de nossos servidores 48 horas após a data do upload”, disse.

O responsável pelo app conta ainda que sua companhia não vende ou compartilha dados de usuário com terceiros, e que a maioria dos recursos está disponível sem exigência de login, o que significa que o app não tem tantos dados dos usuários.

Todo este episódio mostra que talvez seja uma boa ideia começarmos a dar mais atenção aos termos e condições de uso antes de aceitá-los, além de pensar duas vezes antes de entrar na onda dos virais sem questionar as empresas por trás disso e suas intenções.

[The Next Web, El País]

Atualizado às 17h44 com posicionamento do FaceApp