O Facebook está se preparando para uma futura crise nas propagandas, por isso tenta pensar em novas maneiras de colocar links “compre agora!” na frente dos seus olhos. A chefia da empresa acredita que a resposta virá do Instagram e especialmente de vídeos.

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À medida que os bloqueadores de anúncios se tornam mais populares, o Facebook tenta manter sua fonte de renda em propagandas. Mark Zuckerberg e o diretor financeiro David Wehner conversaram com analistas sobre os planos da empresa e seu foco em vídeos.

De acordo com Zuckerberg, os vídeos do Facebook atingiram 8 bilhões de visualizações por dia – esse número dobrou em seis meses. Os vídeos chegam a 500 milhões de pessoas, ou um terço da base de usuários. Agora, a empresa está tentando descobrir uma maneira de transformar isso em dinheiro.

Infelizmente, isso pode ser mais difícil do que eles pensam: uma “visualização” é quando as pessoas assistem a um vídeo durante 3 segundos ou mais. Será difícil para os anunciantes espremerem um anúncio nesses 3 segundos. Além disso, os números são inflados porque os vídeos são reproduzidos por padrão – eis como impedir isso no computador e smartphone.

O YouTube conta uma visualização quando você assiste a um vídeo por no mínimo 30 segundos (ou quando o assiste até o fim, caso ele tenha menos que 30s). Na verdade, eles pararam de se gabar sobre visualizações em 2012, preferindo a estatística de horas de vídeo assistidas.

Ainda assim, o Facebook acumula 760 anos de vídeos assistidos por dia. É um número surpreendente, e que só tende a crescer.

Experimentos

A rede social vem realizando diversos experimentos para fazer usuários verem mais vídeos. Há uma interface Vídeos Sugeridos reunindo clipes que possam interessar a você…

… um feed só com vídeos populares no Facebook…

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… e um modo picture-in-picture em smartphones, que continua tocando o vídeo por cima do feed.

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E, claro, o algoritmo do feed de notícias foi ajustado para exibir mais vídeos. Segundo a Fortune:

Para criadores com mais de um milhão de fãs no Facebook, posts com fotos chegam em média a 14% da audiência, e posts somente com texto chegam a apenas 4%, de acordo com um gerente de criadores de conteúdo. E posts de vídeo? Eles chegam a 35%.

Isso fica bem aparente no vídeo abaixo: o executivo Ranjan Roy deslizou seu feed de notícias por 25 segundos e encontrou sete vídeos tocando sozinhos:

Por que vídeos?

Como explica o TechCrunch, tudo isso é uma tentativa de fazer os anúncios em vídeo parecerem mais indolores: “se o Facebook apenas enfiasse esses vídeos no feed, os usuários ficariam irritados. Mas ao aumentar a audiência orgânica de vídeo, o Facebook é capaz de inserir anúncios sutilmente sem causar uma comoção”.

Anúncios em vídeo custam mais caro: eles deixam uma impressão mais forte no público, e por isso os anunciantes estão dispostos a pagar mais.

Assim, teremos mais anúncios nos serviços “visuais” do Facebook, incluindo o Instagram. A rede social já conta com posts patrocinados no feed: atualmente eles não são muito intrusivos, mas isso pode mudar, especialmente quando o Facebook apostar mais forte nos anúncios em vídeo.

Segundo a Associated Press:

O Facebook também está introduzindo cada vez mais novos caminhos para seus usuários compartilharem e assistirem vídeo na rede social, posicionando-se contra o serviço popular YouTube do Google… Analistas dizem que o Facebook tem um enorme potencial inexplorado em vídeo e em seu catálogo crescente de apps e serviços, muitos dos quais operam separadamente da rede social. Isso inclui o Instagram, o aplicativo de mensagens WhatsApp e o Oculus VR, que faz dispositivos de realidade virtual.

Basicamente, o Facebook está fazendo algo semelhante a empresas de mídia como a Vice e o BuzzFeed: botando fé nos anúncios em vídeo, à medida que banners e posts patrocinados somem aos poucos da internet.

A diferença é que o Facebook pode adicionar mídia social à mistura. Talvez eles injetem anúncios direto nos vídeos que seu melhor amigo postar no Instagram, ou talvez eles planejem algo mais inovador. De qualquer forma, você pode esperar mais anúncios em vídeo no futuro próximo.

[Associated PressTechCrunchFortune]