O Facebook deletou centenas de páginas ligadas a uma rede de propaganda bancada pelo Kremlin conhecida como Sputnik. As páginas, supostamente operadoras por funcionários da Sputnik, foram criadas para parecer que eram operadas fora da Rússia. As páginas do Facebook ajudaram a espalhar propagandas sobre a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), política europeia, entre outros tópicos.

Demorou, mas em 2018 repararam no poder que o Facebook tem
Este é o plano do Facebook para evitar que o desastre das eleições de 2016 se repita

O anúncio do Facebook foi feito na manhã desta quinta-feira (17) e, segundo a companhia, os donos das páginas “primeiramente se apresentavam como distribuidores independentes de notícia”. De fato, as páginas eram operadas por funcionários do Sputnik, uma agência de propaganda do Kremlin, muito parecida com a russa RT. E, como a RT, a Sputnik se concentra em uma audiência que não é russa, podendo ser gente dos Estados Unidos, brasileiros ou cidadãos europeus — que devem ter eleições no próximo ano.

Algumas das 364 páginas do Facebook foram descobertas por pesquisadores independentes que alertaram a companhia, enquanto outras foram derrubadas após a rede social ter recebido uma dica de autoridades norte-americanas. De acordo com o Facebook, quase 790 mil contas seguiam estas páginas. A empresa de tecnologia diz que começou a compartilhar suas informações da investigação com o governo norte-americano e para membros do congresso.

“Estamos constantemente trabalhando em detectar e interromper este tipo de atividade, pois nós não queremos que nossos serviços sejam usados para manipular as pessoas”, disse Nathaniel Gleicher, chefe de cibersegurança do Facebook, em um comunicado.

“Estamos derrubando estas páginas e contas baseado no comportamento delas, não o conteúdo que elas postam”, continuou Gleicher. “Neste caso, as pessoas por trás desta atividade coordenaram operações umas com as outras e usavam contas falsas, e essa foi a base de nossa ação.”

As páginas de propaganda exibiam anúncios, segundo o Facebook, com gastos de cerca de US$ 135 mil pagos em euros, rublos e dólares americanos. O primeiro anúncio teria começado em outubro de 2013 e foram veiculados até este mês.

De acordo com o Facebook, muitas dessas páginas mostravam interesse em políticos de países como Romênia, Letônia, Estônia, Lituânia, Armênia, Azerbaijão, Geórgia, Tajiquistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Moldávia e Quirguistão. Alguns desses países terão eleições em breve.

A Rússia tentou influenciar as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos para favorecer Donald Trump e parece que deu certo, embora seja difícil mensurar quanto a propaganda russa influenciar no resultado final. A única coisa que sabemos é que o presidente Donald Trump nunca agiu contra os interesses do governo russo, e o FBI abriu uma investigação para entender os laços do presidente dos EUA com a Rússia.

Os funcionários da Sputnik também criaram eventos no Facebook, embora nós não saibamos quantas pessoas participaram deles ou se esses eventos ocorreram, de fato. Segundo Gleicher, cerca de 190 eventos foram criados por essas páginas. O primeiro foi registrado em agosto de 2015, e o mais recente feito neste mês.

O Gizmodo entrou em contato com o Facebook perguntando se existe uma lista de eventos, de modo que possamos investigar se algum deles ocorreu.

Exemplo de propaganda russa na Ucrânia. Crédito: Facebook

O Facebook disse que os funcionários da Sputnik também foram ativos na Ucrânia e criaram páginas para parecer que eles são de lá. As páginas estavam “compartilhando histórias locais da Ucrânia com grande variedade de assuntos, como previsão do tempo, protestos, OTAN e condições de saúde em escolas.” O esforço da Sputnik na Ucrânia também incluía 41 contas do Instagram, que foram apagadas.

O governo da Rússia tem grande interesse na Ucrânia após ter invadido a Crimeia em 2014. A Rússia tem trabalhado para desestabilizar o governo ucraniano e tem gasto bastante tempo espalhando propaganda pelo país.

“Nós identificamos algumas sobreposições técnicas com a atividade russa que vímos nas eleições legislativas nos EUA de 2018, incluindo comportamento que tinha semelhanças com as atividades da IRA (Internet Research Agency)”, informou o Facebook.

“Estamos comprometidos em fazer melhorias e construir parcerias fortes ao redor do mundo para detectar e interromper de forma mais efetiva esta atividade.”