Em sua mais recente polêmica sobre violação de privacidade, o Facebook confirmou que criou um aplicativo agora extinto para seus funcionários, que usava a tecnologia de reconhecimento facial para identificar colegas de trabalho e seus amigos, informou o CNET nesta semana.

O Business Insider foi o primeiro a relatar a história na sexta-feira (22), citando várias fontes anônimas que alegavam que os funcionários podiam simplesmente apontar o telefone para alguém para o aplicativo reconhecer o nome e a foto do perfil dessa pessoa, e que uma versão – desde que você fornecesse dados suficientes – poderia rastrear qualquer pessoa na plataforma. A ferramenta foi supostamente desenvolvida entre 2015 e 2016, também conhecido como pré-escândalo do Cambridge Analytica e posterior escrutínio federal, e desde então foi descontinuada.



Em comunicado à CNET, um porta-voz do Facebook negou que o app fosse capaz de identificar qualquer usuário do Facebook, pois estava “disponível apenas para funcionários da empresa e só podia reconhecer funcionários e amigos que tinham o reconhecimento facial ativado”. Segundo o porta-voz, as equipes do Facebook rotineiramente criam softwares internos como este “como uma maneira de aprender sobre novas tecnologias”. A empresa não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do Gizmodo.

Embora possa parecer uma reação exagerada sobre um aplicativo da empresa extinto, essas notícias nos dão uma ideia melhor sobre até que ponto o Facebook experimentou e ajustou o tipo de tecnologia de reconhecimento facial que mais tarde incorporou em suas plataformas em 2017, que se tornou o objeto de reação impetuosa de consumidores e de uma investigação federal. Tudo para que os usuários não precisem lidar com o incômodo de marcar seus amigos nas fotos.

Embora eu esteja de olho nas supostas capacidades deste aplicativo da empresa e o que isso significa para qualquer software futuro que o Facebook desenvolva, com toda a crítica pública e federal que a empresa está atualmente sofrendo em relação à sua tecnologia de reconhecimento facial, não faria muito sentido do ponto de vista de marketing para o velho Zuck avançar nessa frente ainda.

Em resposta a essas críticas – ou, mais provavelmente, à exigência do FTC para que a empresa incorra junto com uma multa de US$ 5 bilhões – o Facebook adotou novos regulamentos para aumentar a transparência em suas plataformas quando se trata de usar seu software de reconhecimento facial, como não mais ativá-lo por padrão porque isso é incrivelmente assustador. E, no entanto, como sabemos agora, com base em relatórios sobre esse aplicativo interno, as coisas poderiam ter sido muito, muito mais assustadoras.