O Facebook anunciou, nesta quarta-feira (22), o banimento do app myPersonality por não aceitar o pedido de auditoria da rede e por estar “claro que eles compartilharam informações com pesquisadores e empresas com proteções mínimas”.

O site vai notificar quatro milhões de usuários que compartilharam suas informações no Facebook com o aplicativo, que “pode tê-las usado de forma incorreta”.

Por que não é uma boa ideia sair fazendo testes do Facebook

O Facebook ainda investiga se, assim como no caso da Cambridge Analytica, o myPersonality coletou também os dados dos amigos dos usuários que utilizaram o app. Isso poderia aumentar substancialmente o número de afetados.

A rede social afirma que começou sua investigação de apps em março e que, desde então, suspendeu mais de 400 deles por causa da preocupação sobre os desenvolvedors desses aplicativos ou sobre a maneira como os dados obtidos podem ter sido usados.

O myPersonality foi criado por pesquisadores do Cambridge Psychometrics Centre, da Universidade de Cambridge — sem relação alguma com a Cambridge Analytica —, com o objetivo de fornecer dados para os próprios estudos do centro. Os dados eram coletados por meio de “quizzes” de personalidade no app.

Segundo o TechCrunch, a suspensão inicial do aplicativo — que operou de 2007 a 2012 — aconteceu em maio deste ano, quando um acadêmico do CPC decidiu disponibilizar os dados coletados no GitHub, para facilitar o acesso a eles pelos estudantes.

O Facebook entendeu a ação como uma violação de suas regras e suspendeu o aplicativo, e essa suspensão evoluiu para um banimento completo depois de os desenvolvedores do app se negarem a permitir que a rede conduzisse uma auditoria sobre o app.

Em comunicado reproduzido pelo TechCrunch, David Stillwell, um dos criadores do myPersonality, afirmou que o Facebook estava ciente do uso de dados coletados pela empresa em pesquisas há muito tempo. “Em 2009, o Facebook certificou o app como ‘de acordo’ com os termos deles, fazendo dele um de seus primeiros ‘aplicativos verificados’. Em 2011, o Facebook me convidou para uma reunião no Vale do Silício (e pagou minhas despesas de viagem) para um workshop organizado pelo Facebook especificamente porque eles queriam que mais pessoas da academia usassem seus dados. E, em 2015, o Facebook convidou o Dr. Kosinski (colaborador de Stillwell) para apresentar nossa pesquisa em sua sede”, afirmou o desenvolvedor.

Kosinski e Stillwell contaram ao TechCrunch que, durante o período descrito acima, dúzias de universidades publicaram mais de uma centena de pesquisas de ciências sociais usando os dados coletados pelo myPersonality e que ninguém no Facebook pareceu ter problema com a maneira como as informações estavam sendo usadas.

Durante todo esse tempo, o Facebook sempre aprovou as atividades do myPersonality, dando a entender que ou as investigações não foram profundas o bastante ou que os critério de avaliação mudaram. Vale apontar também que a mesma acusação do Facebook contra o app — de não garantir a segurança dos dados compartilhados pelos usuários — caberia perfeitamente à própria rede social no escândalo envolvendo a Cambridge Analytica.

A jogada do Facebook aqui parece ser de marketing, em um ano em que a empresa luta para provar para as pessoas que pode ser confiável depois de um episódio como o da Cambridge Analytica ter abalado a relação da rede com os seus usuários. Enquanto isso, Stillwell segue esperando respostas da rede sobre suas indagações. “Quando o app foi suspenso três meses atrás, pedi ao Facebook que explicasse quais de seus termos haviam sido violados, mas até agora eles não foram capazes de citar nenhum exemplo”, contou ao TechCrunch.

[Facebook e TechCrunch]

Imagem do topo: Jeff Chiu/AP