O Facebook vai lançar sua própria criptomoeda em 2020, segundo a BBC News. A chamada “GlobalCoin” poderá ser convertida em dólares e outras moedas internacionais, permitindo que os usuários realizem transações e compras online sem a necessidade de uma conta bancária.

Considerando que criptomoedas já apresentam uma série de questões, como segurança digital e instabilidade, uma empresa da magnitude do Facebook precisa criar um projeto muito bem estruturado para que esse tiro não saia pela culatra.



Afinal, essa não é a primeira vez que Zuckerberg aposta em moedas digitais. Em 2009, exatamente uma década atrás, a rede social havia lançado o Facebook Credits. Basicamente, a ideia era que o usuário comprasse créditos, utilizando seu cartão ou via PayPal, para realizar pagamentos a aplicativo e jogos disponíveis dentro da rede social. Entretanto, em 2012, a empresa anunciou que o serviço seria suspenso, visto que os desenvolvedores estavam criando suas próprias moedas, o que não só dificultou as conversões, mas tornou obsoleto o sistema criado pelo Facebook.

Para evitar um novo fracasso, e considerando que as moedas digitais já estão muito mais consolidadas agora, o Facebook está conduzindo o novo projeto, batizado internamente de Projeto Libra, com muita cautela.

Segundo a BBC, Zuckerberg já se reuniu com o Bank of England, consultou o US Treasury (Tesouro dos Estados Unidos) sobre questões operacionais e regulatórias, além de ter iniciado conversas com empresas de transferência monetária, incluindo a Western Union. O objetivo é oferecer soluções mais rápidas e baratas para que os usuários possam enviar e receber dinheiro sem a necessidade de uma conta bancária.

O Facebook planeja disponibilizar a GlobalCoin em diversos países em seu lançamento. Essa estratégia precisa levar em consideração, no entanto, as particularidades de cada local. Conforme observado pelo The Verge, a Índia é um dos focos da nova moeda, que promete oferecer aos trabalhadores indianos que trabalham em outros países a oportunidade de enviar dinheiro para suas famílias pelo WhatsApp. No entanto, o governo indiano já demonstrou uma certa aversão às moedas digitais, com projetos, inclusive, de banir criptomoedas do país devido à falta de regulamentação.

Aqui no Brasil, a Receita Federal já alertou que as operações com criptoativos terão que ser informadas ao órgão. A decisão foi estabelecida como uma medida para combater a sonegação fiscal e evitar lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas ao exterior. Segundo o Global Digital Report, pesquisa realizada pela Hootsuite, o Brasil é o quinto país do mundo com maior número de usuários de criptomoedas. Com um possível aumento desse número de usuários, será necessário um sistema capaz de controlar tantas transações.

Outro obstáculo que o projeto pode enfrentar é um receio e questionamentos em relação à segurança e privacidade. O Facebook já tem um longo e conturbado histórico de violação de dados pessoais e, ao criar seu próprio sistema de pagamento, a rede social teria um acesso ainda maior e mais fácil aos dados e atividade financeiras dos seus usuários.

Caso seja bem-sucedida, a GlobalCoin terá à sua disposição uma base de 2,4 bilhões de usuários mensais do Facebook, o que pode representar um marco importante para o mercado de criptomoedas.