Ontem a Meta, empresa que abrange Facebook, Instagram e Whatsapp, perdeu US$ 200 bilhões de dólares de valor de mercado em apenas um dia, um recorde na bolsa de valores de Nova York. O prejuízo aconteceu após a divulgação do balanço do último trimestre de 2021, no qual foi revelada a queda de usuários ativos do Facebook.

Além disso, a plataforma estima que perderá cerca de US$ 10 bilhões em receita de publicidade por causa da Apple.

Contextualizando, a Apple passou a permitir que usuários de iPhone pudessem permitir ou não quais aplicativos podem ter acesso a informações do usuário em outros apps. Boa parte dos usuários do iOS optaram por não compartilhar esses dados, o que afetou significativamente a principal fonte de receita do Facebook, que é a publicidade.

“O impacto negativo do iOS em nossos negócios em 2022 é de cerca de US$ 10 bilhões”, afirmou o CFO da Meta, David Wehner, na quarta-feira, um dia antes do tombo histórico. “Estamos trabalhando muito para diminuir os impactos e continuar tornando os anúncios relevantes e eficazes para os usuários”

O Facebook trabalha direcionando publicidade com base em uma enorme base de dados dos usuários de sua plataforma. Com os usuários impedindo o rastreio de sua atividade em outros aplicativos, o trabalho de direcionar anúncios fica consideravelmente mais difícil.

A mudança no iOS aconteceu na versão 14.5 do sistema operacional, lançada em abril de 2021. Desde então, a estimativa é de que 95% dos usuários que tiveram acesso ao recurso optaram por não permitir que o Facebook rastreie atividade em aplicativos terceiros. Aproximadamente 70% de todos os iPhones ativos no mundo possuem esse recurso, que deve não afetar apenas os negócios da Meta, mas também de qualquer rede social que tenha seu modelo de negócios baseado na venda de anúncios publicitários.

Se por um lado Wehner elegeu o iOS como culpado do banlanço negativo, o CEO Mark Zuckerberg, escolheu outra plataforma para culpar, o TikTok. Zuckerberg mencionou o fato de as pessoas estarem cada vez gastando mais tempo em aplicativos que seguem o mesmo modelo do TikTok, apostando em vídeos curtos e um feed vertical interminável de conteúdos do interesse do usuário.

O co-fundador da empresa ainda reforçou o trabalho que vem sendo feito com o Reels nos últimos meses para concorrer com o TikTok, seguindo na mesma linha do CEO do Instagram, Adam Mosseri, que revelou no ano passado que a plataforma investiria mais em conteúdos de vídeo.

De acordo com um levantamento da App Annie, usuários ficaram em média 19,6 horas por mês no TikTok. O número impressiona, mas assusta ainda mais quando comparado ao tempo que as pessoas passaram no Instagram, que foi de 11,2 horas por mês. Esse indicadores ilustram bem a preocupação com a plataforma chinesa, que somada à queda de usuários ativos do Facebook e à perda sem precedentes de valor de mercado ligam o sinal de alerta na Meta.