O Facebook, que foi acusado de ser o meio utilizado para influenciar as últimas eleições dos Estados Unidos, agora disse que vai verificar a identidade das pessoas que comprarem anúncios relacionados a políticos nos Estados Unidos enviando cartões postais.

Anúncios russos alcançaram cerca de 10 milhões de americanos, diz o Facebook
Tudo o que sabemos sobre a interferência russa nos anúncios do Facebook, Twitter e Google

Segundo a Reuters, o Facebook diz que o processo vai envolver qualquer propaganda que mencione pelo menos um candidato, e não anúncios com outros tipos de conteúdo:

O processo de usar um cartão postal contendo um código em específico vai ser necessário quando a propaganda conter uma pessoa que é candidata para um cargo federal, informou Katie Harbath, diretora global de programas políticos do Facebook. O requerimento não será aplicado a propagandas que envolvam política, de modo geral.

“Se você fizer uma propaganda mencionando um candidato, nós vamos enviar um cartão postal e você deverá usar este código para provar que está nos Estados Unidos”, disse Harbath em uma conferência da National Association of Secretaries of State (Associação Nacional das Secretarias de Estado), em que executivos do Twitter e da Alphabet (subsidiária dona do Google) também participaram.

“Não vai resolver tudo”, disse a Harbath em uma rápida entrevista para a agência de notícias Reuters após apresentar a nova iniciativa da rede social.

De acordo com a Reuters, o Facebook disse que o envio dos postais são a melhor solução que a rede conseguiu achar e que esta ação será implementada antes das eleições de 2018, prevista para novembro, que vai eleger senadores e deputados nos Estados Unidos.

Embora grupos russos tenham gasto US$ 100 mil em propagandas no Facebook, eles também geraram uma grande quantidade de conteúdos orgânicos na rede social que chegou a atingir 126 milhões de norte-americanos e 20 milhões de pessoas no Instagram — números que parecem grandes, mas que também são “uma pequena quantia dos 33 trilhões de posts que os norte-americanos viram em seus feeds entre 2015 e 2017”, observou o Washington Post. A parcela alcançada pelas propagandas bancadas por russos foi de 10 milhões.

A lei dos Estados Unidos proíbe entidades estrangeiras de fazer qualquer tipo de gastos ou contribuições para campanhas eleitorais nos Estados Unidos, assim como requer que comitês de candidatos, partidos e ações políticas divulguem como o dinheiro arrecadado em campanhas foi gasto (embora tenha aumentado a quantidade de dinheiro de grupos sem fins lucrativos, que não precisam detalhar seus doadores)

De acordo com o Washigton Post, no entanto, os termos de serviço do Facebook estipulam que os anunciantes têm a responsabilidade de “entender e cumprir todas as leis aplicáveis e regulações”. Como as notícias de que uma operação russa influenciou o último pleito presidencial nos Estados Unidos alarmou os legisladores, alguns especialistas caracterizaram a última resposta do Facebook [enviar cartões postais] como uma solução para seu modelo altamente lucrativo e automatizado de propaganda direcionada.

Por anos, informa a Bloomberg, o Facebook buscou ter isenções da Comissão Federal de Eleição de detalhamento de propaganda política e sua política de conformidade para compradores de propaganda, e que isso ajudou a empresa a “gerar centenas de milhões de dólares com campanhas políticas.”

Como a nova política aparentemente só se aplica a propagandas que mencionam o nome de candidatos, ela se aplicaria, por exemplo, a anúncios comprados por russos durante as últimas eleições nos Estados Unidos.

A notícia sobre o início do uso de cartão postal pelo Facebook talvez tenha sido ofuscada por um retuíte de Trump. Nele, o presidente dos Estados Unidos replicou uma mensagem do vice-presidente de propaganda do Facebook no qual ele tenta se distanciar da influência russa nas últimas eleições presidenciais.

[Reuters]

Foto do topo por AP