O Facebook anunciou um investimento de US$ 5,7 bilhões na Jio Platforms, a maior operadora de telefonia da Índia. Essa injeção de grana dá à rede social o controle de 9,99% da empresa, tornando-a maior acionista minoritária na Jio Platforms.

Esse é o maior investimento estrangeiro em uma empresa do setor de tecnologia da Índia. Para o Facebook, é uma oportunidade de expandir a sua presença em um mercado com grande potencial: a Índia tem 1,3 bilhão de habitantes, dos quais 560 milhões estão conectados à internet.

Além disso, 400 milhões de pessoas na Índia já utilizam o WhatsApp, enquanto mais de 300 milhões usam o Facebook.

A Jio Platforms, subsidiária da Reliance Industries, foi fundada por Mukesh Ambani, a pessoa mais rica da Ásia. Os empreendimentos de Ambani compreendem a área petrolífera, de moda, varejo e, mais recentemente, telefonia.

De acordo com o Facebook, a Jio, fundada em 2016, permitiu que 388 milhões de pessoas se conectassem à internet nos últimos 4 anos. A empresa de telefonia passou a oferecer serviços 4G a preços baixos após comprar a única companhia tinha tinha as licenças do espectro LTE ao redor do país.

Outro trunfo da operadora foi o JioPhone, um celular básico com KaiOS (que roda o WhatsApp) e que foi oferecido gratuitamente na compra de alguns planos 4G.

O Facebook está de olho, principalmente, em como pode influenciar pequenos negócios a utilizar os seus serviços.

“Ao juntar a JioMart, a iniciativa de pequenos negócios da Jio, com o WhatsApp, nós podemos permitir que as pessoas se conectem com as empresas, façam compras e adquiram produtos em uma experiência móvel perfeita”, escreveram executivos do Facebook em um comunicado.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, também comentou sobre o investimento em seu perfil na rede social: “A Índia tem mais de 60 milhões de pequenos negócios e milhões de pessoas dependem deles para os seus empregos. Com comunidades ao redor do mundo em quarentena, muitos desses empreendedores precisam de ferramentas digitais para encontrar e se comunicar com seus consumidores e fazerem seus negócios crescerem”.

As ferramentas voltadas para negócios no WhatsApp costumam ser lançadas primeiro na Índia. A companhia tem desenvolvido um sistema de pagamento digital para ser implementado no app de mensagens, por exemplo.

A relação entre Facebook e o governo indiano não é simples. Recentemente, o governo indiano exigiu que o WhatsApp alterasse o seu sistema de criptografia para permitir que as mensagens fossem rastreadas até a sua origem – a companhia recusou fazer qualquer alteração.

Por outro lado, o WhatsApp tem solicitado a liberação para oferecer o serviço de pagamento digital pelo aplicativo, mas o governo tem atrasado o processo há mais de 2 anos.

Essa não é a primeira vez que o Facebook tenta expandir a sua presença na Índia por meio do fornecimento de internet à população. Em 2015, a empresa tentou lançar o Free Basics, um programa que oferecia internet gratuita para milhões de indianos mas que limitava quais sites e serviços eles acessariam. Os reguladores da Índia baniram o Free Basics em 2016, preocupados com a neutralidade da rede.

Para o dono da Jio Platforms, o investimento também pode ser um alívio. A estratégia agressiva para se tornar a maior operadora do país fez com que a companhia acumulasse débitos, que tem sido subsidiados pelos lucros de outras partes da Reliance Industries.

O investimento ainda precisa ser aprovado pelas agências reguladoras de competição da Índia.

[New York Times, Engadget]