O histórico do Facebook em lidar com problemas de informação errada em sua plataforma não é exatamente bom. Isso não se limita apenas a memes políticos estúpidos e enganosos, mas também inclui informações erradas sobre saúde e supostas “curas”. Percebendo esses erros e potenciais prejuízos, o Facebook finalmente decidiu deletar essas informações para que não sejam mais vistas ou compartilhadas.

Brincadeira! O Facebook disse que vai manter essas informações no site, optando por simplesmente “minimizar” seu alcance no feed de notícias.

Travis Yeh, gerente de produto da empresa, falou sobre os esforços da empresa para reduzir o problema em um post na terça-feira (2), escrevendo que “que conteúdos enganosos sobre saúde são particularmente ruins para nossa comunidade”. As mudanças implementadas para endereçar o problema estão em vigor desde o mês passado e inclui rebaixar conteúdos sensacionalistas ou enganosos, como postagens sobre uma suposta “cura milagrosa”, bem como publicações que “promovem um produto ou serviço com base em uma alegação relacionada à saúde”. Essas alterações parecem aplicar-se principalmente às Páginas. Yeh continuou no post (grifo nosso):

Prevemos que a maioria das Páginas não terá alterações significativas em sua distribuição no Feed de Notícias com essa atualização.

Publicações com alegações de saúde sensacionalistas ou promovendo algum produto com alegações relacionadas à saúde terão sua distribuição reduzida. As Páginas devem evitar postagens sobre saúde que exagerem ou desinformem pessoas ou que tentem vender produtos com alegações relacionadas à saúde. Se uma Página parar de publicar esse tipo de conteúdo, suas publicações não serão mais afetadas com essa alteração.

Eis o problema disso: qualquer pessoa que busca informação sobre, digamos, envenenar crianças com água sanitária para “curar” autismo ou qualquer outra desinformação ridícula e perigosa que os grupos estejam espalhando, pode, presumidamente, navegar em uma página e encontrar essa informação que procuram. Ao tentar ocultar conteúdos sobre saúde, o Facebook ainda permite que eles alcancem potenciais usuários suscetíveis. Foi por esse mesmo motivo que o Facebook foi recentemente criticado por manter vídeos distorcidos de Nancy Pelosi.

A resposta do Facebook para esse fiasco, assim como neste caso, foi revoltante. Em uma entrevista a Anderson Cooper sobre o incidente na época, Monika Bickert, head of global policy management do Facebook, afirmou que a empresa acredita que “é importante que as pessoas tomem suas próprias decisões sobre no que acreditar”, apontando pata as operações de checagem de fatos da plataforma como justificativa para permitir conteúdos enganosos na rede social.

“Isso faz parte da forma como lidamos com a desinformação”, disse Bickert. “Nós trabalhamos com organizações de checagem de fatos certificadas internacionalmente e que são independentes do Facebook, e acreditamos que essas são as organizações certas para decidirem sobre o que é falso ou verdadeiro”.

Vamos ignorar por um momento que a maior plataforma de rede social do planeta parece completamente indiferente aos conteúdos enganosos que se espalham, e em larga escala, graças à existência do Facebook. Responsabilizar seus parceiros de checagem de fatos pela moderação de seu conteúdo em vez de tomar qualquer medida significativa para solucionar o problema de informações erradas potencialmente perigosas em sua plataforma só não é pior do que virar as costas completamente para o problema. Até mesmo as empresas de checagem de fatos pediram à empresa maior transparência e métricas para mensurar o valor do seu trabalho e os efeitos.

Essa nova iniciativa contra conteúdos enganosos relacionados à saúde também não parece estar funcionando muito bem. Uma rápida busca por páginas sobre como perder peso rapidamente mostrou uma com 48 mil seguidores cuja publicação fixada promove um chá que alega: “tira a sua fome e te ajuda a perder meio quilo de gordura a cada 72 horas!”.