E quando você achava que o Facebook estava saindo do ramo das notícias, ele está… entrando no ramo das notícias — mas com vídeos!

A rede social supostamente planeja testar uma seção de noticiário em vídeo para o seu Watch, que vai começar a ser lançado no meio deste ano, segundo o Axios noticiou nesta terça-feira (13). Para fazê-lo, o Facebook se associará a cerca de dez “editores de notícias”, de acordo com fontes que conversaram com a Axios sobre a iniciativa.

• Estudo sobre “fake news” descobre que o inimigo da informação somos nós, não os bots
• Mesmo desligada, VPN do Facebook pode estar coletando seus dados

“Vídeos de notícia a tempo são o último passo em nossa estratégia de fazer investimentos direcionados nos novos tipos de programação no Facebook Watch…”, disse Campbell Brown, chefe de parcerias de notícias para o Facebook, em entrevista ao Axios.

“Como parte de nosso esforço mais amplo de suporte a notícias de qualidade no Facebook, planejamos nos encontrar com uma grande variedade de potenciais parceiros para desenvolver, aprender e inovar em programação de notícias adaptada para ter sucesso em um ambiente social. Nossas primeiras conversas foram encorajadoras, e estamos empolgados com as possibilidades por vir.”

Quando o Watch, do Facebook, foi lançado no ano passado, ele continha um monte de lixo viral. Desde então, foi lentamente se enchendo de conteúdos em vídeos curtos, tanto por parte de produtores individuais como de editoras como a Wired (e o Gizmodo, com o Battlemodo).

Enquanto isso, o Facebook parou de mostrar tantas notícias aos seus usuários, devido a toda aquela coisa das fake news” e da propaganda russa. Um passo em direção a um noticiário em vídeo produzido por editores certamente parece um passo para trás em outra direção, com base no fato de que trabalhar diretamente com veículos de notícia legítimos vai ajudar a garantir que o projeto não esteja disseminando um monte de baboseira.

Isso também marca o afastamento firme do Facebook de sua afirmação anterior de que não era uma empresa de mídia. “Não, somos uma empresa de tecnologia, não de mídia”, disse Mark Zuckerberg em agosto de 2016. Em dezembro daquele ano, ele já voltou um pouco atrás em suas declarações, apontando em um post no Facebook que pensava na rede social “como uma empresa de tecnologia, mas reconheço que temos uma responsabilidade maior do que apenas construir a tecnologia por meio da qual as informações fluem”. Ele prosseguiu:

“Embora não escrevamos as notícias que você lê e compartilha, também reconhecemos que somos mais do que um distribuidor de notícias. Somos um novo tipo de plataforma para o discurso público — e isso significa que temos um novo tipo de responsabilidade de capacitar as pessoas a terem as conversas mais significativas e de construir um espaço em que as pessoas possam se informar.”

Um ano e algumas mudanças depois, parece que o Facebook está, enfim, pronto para colocar sua mão não apenas na distribuição de notícias, mas em sua criação. Embora a empresa esteja pintando isso como uma mudança em direção a notícias mais legítimas, é ainda preocupante, considerando que a companhia ainda está lutando contra uma enxurrada infernal de desinformação que empesta os feeds dos usuários. Na ausência de limpeza de seu problema atual de notícias falsas, lançar um outro produto de notícias parece terrivelmente equivocado.

Entramos em contato com o Facebook e vamos atualizar esta publicação se tivermos uma resposta.

Imagem do topo: Getty