A lista de reclamações sobre o Facebook já é ridiculamente longa. Ela acaba de ficar ainda maior. Moderadores de conteúdo da empresa disseram que um superior pediu que os terapeutas indicados pela empresa compartilhassem informações sobre suas sessões, de acordo com uma reportagem do site The Intercept.

Inúmeras investigações descreveram essa força de trabalho como notoriamente mal remunerada, sobrecarregada e em condições de trabalho ruins. São esses os profissionais que examinam alguns dos posts mais perturbadores que a Internet pode oferecer. Você sabe, todas as coisas que podem levar alguém a fazer terapia.

Essa crítica mais recente vem de um local em Austin, Texas, liderado pela Accenture, uma terceirizada independente do Facebook, contratada para supervisionar 1.500 moderadores de conteúdo. A Accenture e o Facebook também empregam terapeutas de trauma, também conhecidos como “coaches de bem-estar”, para ajudar o pessoal a lidar com todo aquele conteúdo visualmente impactante e julgar se ele viola os termos de serviço da rede social.

Mas, embora ambas as partes envolvidas nessas sessões de aconselhamento tenham entendido que elas são privadas, uma carta escrita por vários delatores afirma que a Accenture fez várias tentativas desde julho para revisar o que foi discutido nelas. Esta carta foi publicada pelo site The Intercept, com edições para esconder informações que poderiam servir para identificar funcionários. Ela diz o seguinte:

Chegou ao nosso conhecimento que um [gerente] da Accenture pressionou um terapeuta licenciado da WeCare para divulgar o conteúdo de sua sessão com um funcionário da Accenture. O terapeuta recusou, declarando preocupações com confidencialidade, mas o [gerente] insistiu em afirmar que, por não ser um ambiente clínico, a confidencialidade não existia. O terapeuta novamente recusou. Essa pressão sobre um terapeuta licenciado para divulgar informações confidenciais é, na melhor das hipóteses, uma negligente quebra de confiança no programa de bem-estar e, na pior das hipóteses, uma violação ética e possivelmente uma violação legal.

O que exatamente esse executivo da Accenture queria saber não está claro, segundo o Intercept. A carta pede a remoção deste gerente e afirma que pelo menos um terapeuta pediu demissão após ser pressionado a revelar informações compartilhadas durante uma dessas sessões de aconselhamento.

Mais tarde, um gerente de terceirização disse aos funcionários que o Facebook conduziu uma investigação interna sobre o assunto e concluiu que “não houve violação ou quebra de confiança entre nossos terapeutas licenciados e um funcionário contratado”, apesar do incidente ter levado a empresa a “atualizar” os “coaches de bem-estar” da equipe sobre o que eles “podem e não podem compartilhar”.

Quando o Gizmodo entrou em contato com o Facebook sobre este relatório, um porta-voz reiterou a mesma declaração que a empresa enviou ao Intercept, que você pode ler abaixo:

“Todos os nossos parceiros devem fornecer um plano de resiliência revisado e aprovado pelo Facebook. Isso inclui uma abordagem holística de bem-estar e resiliência que coloca as necessidades de seus funcionários em primeiro lugar. Todos os líderes e coaches de bem-estar recebem treinamento na empresa contratada e, embora não acreditemos que houve uma violação de privacidade neste caso, usamos isso como uma oportunidade para enfatizar novamente o treinamento em toda a organização.”

A Accenture também deu a seguinte declaração:

“Essas alegações são imprecisas. O bem-estar de nosso pessoal é nossa principal prioridade, e nossas equipes de confiança e segurança em Austin têm acesso irrestrito ao suporte de bem-estar. Além disso, nosso programa de bem-estar oferece aconselhamento proativo e sob demanda e é apoiado por um forte programa de assistência aos funcionários. Nosso pessoal é incentivado a levantar preocupações de bem-estar por meio desses programas. Também analisamos, avaliamos e investimos continuamente em nossos programas de bem-estar para criar o ambiente de trabalho mais favorável — com frequência buscando informações de especialistas do setor, profissionais da área médica e nosso pessoal.”

Depois de sofrer críticas de outros funcionários, o Facebook anunciou em maio que estaria melhorando os salários e benefícios para uma parte de seus moderadores de conteúdo. No entanto, uma matéria recentemente publicada pelo The Verge sobre um local em Tampa, Flórida (o mesmo onde um funcionário supostamente morreu em sua mesa) ainda descrevia um local de trabalho sombrio e caótico, indicando — junto com este nova reportagem do Intercept – que o Facebook ainda pode estar ignorando a raiz dos seus problemas com os moderadores.

[The Intercept]