Aparentemente insatisfeito em coletar os dados pessoais dos usuários em suas plataformas, o Facebook agora quer obter também seus dados de saúde. A empresa está desenvolvendo um smartwatch como seu próximo investimento em hardware, e o dispositivo pode estrear já no próximo ano, de acordo com um relato de sexta-feira (12) do site Information.

O relógio inteligente deve rodar no Android, embora não esteja claro se ele usará o Wear OS do Google, já que o Facebook está tentando construir seu próprio sistema operacional para futuros empreendimentos de hardware, segundo pessoas com conhecimento direto sobre o dispositivo que falaram com o site de notícias em condição de anonimato. O relógio acessará a Internet por meio de uma conexão de dados móveis, de forma que nenhum smartphone será necessário, além de contar com recursos de mensagens, saúde e condicionamento físico.

Naturalmente, todos esses recursos terão compatibilidade incorporada com as plataformas existentes do Facebook, já que a empresa está, sem dúvida, procurando alavancar sua vasta rede social para obter uma vantagem sobre o Fitbit, a Apple e outros titãs no espaço de smartwatch. O dispositivo permitirá que os usuários acompanhem seus treinos com amigos, entrem em contato com seu treinador e oferecerá algum tipo de recurso de bate-papo rápido sem a necessidade de pegar um smartphone.

No futuro, o Facebook também planeja tornar seus dispositivos compatíveis com produtos de saúde e fitness de empresas como a Peloton, bem como lançar versões capazes de interagir com os futuros dispositivos do Facebook, como a linha de óculos de realidade aumentada que a companhia está supostamente desenvolvendo.

O Facebook pretende lançar a primeira versão de seu smartwatch no próximo ano, com planos para uma segunda geração já para 2023, disse uma fonte com conhecimento sobre o cronograma ao Information. Embora a reportagem não tenha entrado em detalhes sobre preços, o texto afirma que “espera-se que o Facebook venda seu relógio próximo ao custo de produção”, que é uma tática que a empresa usou com seus headsets de realidade virtual Oculus.

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De acordo com o Information, o diretor de tecnologia do Facebook, Mike Schroepfer, disse em uma reunião geral para funcionários em dezembro que a empresa planejava continuar a investir em hardware e aumentar seus investimentos em dispositivos vestíveis. O smartwatch iria se juntar ao crescente ecossistema de hardware do Facebook, que inclui seus headsets Oculus VR e dispositivos de streaming de vídeo Portal, juntamente com vários projetos que a companhia supostamente já estaria desenvolvendo. O Facebook não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do Gizmodo, mas vamos atualizar este post quando tivermos um retorno.

Dado o histórico de erros de privacidade do Facebook, esse mais novo empreendimento parece um desastre esperando para acontecer. A empresa já se envolveu em tantas polêmicas ao longo dos anos a ponto de deixar claro para as pessoas que não é uma boa ideia entregar os seus dados de saúde. Se este smartwatch acabar se tornando realidade (a reportagem diz que o desenvolvimento está muito adiantado, mas o Facebook ainda pode desistir do projeto), dou de dois ou três meses até as manchetes sobre os escândalos começarem a sair, seguidas pelo Facebook se pronunciando com mais desculpas vazias.