Em breve, usuários do Facebook que você não bloqueou vão poder fazer buscas pelo seu nome e encontrar seu perfil da rede social. É o Google para pessoas e você é apenas um resultado. Mas ninguém perceberia que isso é uma grande mudança ao ler a descrição feita pelo Facebook em seu blog oficial. O chefe da área de privacidade da rede social, Michael Richter, disse apenas que está “finalizando a remoção de uma antiga configuração de pesquisa.

Eis como as coisas funcionavam: na configuração “Quem pode observar sua linha do tempo com o seu nome?” usuários conseguiam controlar por quem eles poderiam ser encontrados escolhendo Todos, Amigos, ou Amigos de Amigos. Mas, no ano passado, o Facebook removeu a opção alegando que as pessoas não usavam o recurso – apenas uma pequena porcentagem dos quase 1,2 bilhões de usuários marcava a opção.

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O Facebook argumenta que as pessoas não usavam porque isso não importa para elas. Mas fica claro a partir da própria descrição do Facebook que parte do motivo das pessoas não exercerem essa opção de privacidade ocorre porque é muito difícil de entender. Veja a linguagem. “Quem pode observar a sua linha do tempo com o seu nome” não deixa claro o que você está protegendo de outros usuários.

De acordo com Richter:

A opção foi criada quando o Facebook era um simples diretório de perfis e era bem limitado. Isso não evitava, por exemplo, das pessoas navegarem na sua linha do tempo ao clicar no seu nome em um post no Feed de Notícias, ou a partir da linha do tempo de algum amigo em comum […]

A configuração também fez o recurso de busca do Facebook ficar incompleto algumas vezes. Pessoas nos diziam, por exemplo, que achavam confuso quando buscavam alguém que conheciam pessoalmente e não conseguiam encontrar nos resultados da busca, ou quando duas pessoas estavam em um grupo do Facebook e não podiam se encontrar pela busca.

Para piorar a invasão de privacidade, o Facebook apresenta essa mudança como um passo adiante para mais controles de privacidade:

Hoje, as pessoas também podem pesquisar no Facebook usando a Busca Social (por exemplo, “Pessoas que vivem em Seattle”), tornando ainda mais importante o controle de privacidade das coisas que você compartilha em vez de quais pessoas podem chegar à sua linha do tempo.

Então, basicamente, o Facebook colocou o ônus sobre seus usuários. Em cada foto ou atualização de status ou comentário que você compartilhar, você precisa pensar bem em quais pessoas poderão encontrá-las agora que a busca por elas envolve toda a sua história na rede social. Mas vamos ser realistas – quem vai fazer isso?

No TechCrunch, Josh Constine chamou de “ação sábia”:

Manter essa opção de privacidade disponível deu às pessoas uma falsa sensação de segurança. Por esse motivo, é esperto o Facebook em removê-la. Mas deveria ser oferecido um controle ainda mais forte e universal de privacidade para remover o nome das buscas, e não apenas enfraquecer o que já existe.

Constine então emprega um adorável eufemismo para descrever o ato de equilíbrio entre os lucros e a proteção de conteúdo que usuários não sabiam que seriam procurados quando foram postados:

Para quem tem stalkers, no entanto, o Facebook pode ter ficado um pouco mais perigoso. O Facebook me diz que o jeito de evitar que uma pessoa específica visite seu perfil ou veja qualquer conteúdo seu é bloqueando ela. Mas e se o seu stalker criar uma conta nova com um nome falso? Então ele pode procurar e encontrar seu perfil.

Este é o ponto de atrito onde a missão do Facebook para conectar o mundo e a sua responsabilidade de fazer dinheiro para seus investidores, além do dever de manter a privacidade das pessoas, entram em conflito.

Apenas um pequeno atrito. Não vai machucar ninguém.