O Facebook sabia da coleta de dados ligadas à agentes russos desde outubro de 2014, de acordo com um e-mail de um engenheiro da rede social. A mensagem estava entre os documentos que foram apreendidos pelo parlamento britânico no começo desta semana e foi revelada durante a sabatina do comitê parlamentar internacional ocorrida nesta terça (27), em Londres.

O Facebook afirmava que não estava ciente sobre a atividade russa em sua plataforma até 2016.

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Richard Allan, vice-presidente de soluções políticos do Facebook, se recusou a discutir o e-mail. O documento estava sob sigilo em um processo que corre na Califórnia, junto com outros papeis da Six4Three, um aplicativo que está processando a rede social por um assunto não relacionado nos Estados Unidos. Ted Kramer, fundador da Six4Tree, foi obrigado a entregar esses documentos ao parlamento britânico.

À Bloomberg, o Facebook enviou um comunicado afirmando que o documento citado na sabatina foi tirado de contexto. “Os engenheiros que levantaram essa preocupação inicial continuaram investigando o caso e não encontraram evidências de atividades russas específicas”.

Como lembra o Verge, esse não é o primeiro incidente envolvendo influência russa no Facebook. A companhia já foi sabatinada pelo congresso dos EUA a respeito de anúncios ligados à agências russas que poderiam ter influenciado as eleições de 2016 no país. Além disso, a companhia anunciou algumas vezes que tinha derrubado uma série de contas gerenciadas por russos em 2018.

O parlamentar canadense Charlie Angus, que foi convidado para participar da sabatina, questionou o executivo do Facebook sobre a perda de confiança pública e perguntou se a companhia deveria ser regulamentada por governos.

Richard Allan disse que “não iria discordar que a confiança pública ficou abalada após algumas ações que foram tomadas”. O executivo disse ainda que leis claras sobre comunicação política seriam bem-vindas e que a empresa estaria disposta a aceitar mais regulamentações. “Na medida em que tudo isso estiver esclarecido e tivermos um manual claro para que possamos trabalhar, seria muito útil”, disse ele.

Depois das eleições presidenciais dos EUA, em 2016, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, disse em público que sua rede social não teria tido impacto nas eleições e que essa era uma ideia “doida”.

Não é o que parece agora.

[Bloomberg, Verge]